terça-feira, 28 de agosto de 2012

REPORTAGEM DA TV DIÁRIO SOBRE O GEPE DA PRAIA DO FUTURO

AJUDA-TE A TI MESMO, QUE O CÉU TE AJUDARÁ


 1. Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.
Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? - Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? -Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem? (S. MATEUS, cap. VII, vv. 7 a 11.)
2. Do ponto de vista terreno, a máxima: Buscai e achareis é análoga a esta outra: Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. É o princípio da lei do trabalho e, por conseguinte, da lei do progresso, porquanto o progresso é filho do trabalho, visto que este põe em ação as forças da inteligência.
Na infância da Humanidade, o homem só aplica a inteligência à cata do alimento, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos seus inimigos. Deus, porém, lhe deu, a mais do que outorgou ao animal, o desejo incessante do melhor, e é esse desejo que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua posição, que o leva às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, porquanto é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Pelas suas pesquisas, a inteligência se lhe engrandece, o moral se lhe depura. As necessidades do corpo sucedem as do espírito: depois do alimento material, precisa ele do alimento espiritual. E assim que o homem passa da selvageria à civilização.
Mas, bem pouca coisa é, imperceptível mesmo, em grande número deles, o progresso que cada um realiza individualmente no curso da vida. Como poderia então progredir a Humanidade, sem a preexistência e a reexistência da alma? Se as almas se fossem todos os dias, para não mais voltarem, a Humanidade se renovaria incessantemente com os elementos primitivos, tendo de fazer tudo, de aprender tudo. Não haveria, nesse caso, razão para que o homem se achasse hoje mais adiantado do que nas primeiras idades do mundo, uma vez que a cada nascimento todo o trabalho intelectual teria de recomeçar. Ao contrário, voltando com o progresso que já realizou e adquirindo de cada vez alguma coisa a mais, a alma passa gradualmente da barbárie à civilização material e desta à civilização moral. (Vede: cap. IV, nº 17.)
3. Se Deus houvesse isentado do trabalho do corpo o homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito.
4. Em virtude desse princípio é que os Espíritos não acorrem a poupar o homem ao trabalho das pesquisas, trazendo-lhe, já feitas e prontas a ser utilizadas, descobertas e invenções, de modo a não ter ele mais do que tomar o que lhe ponham nas mãos, sem o incômodo, sequer, de abaixar-se para apanhar, nem mesmo o de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso poderia enriquecer-se e o mais ignorante tornar-se sábio à custa de nada e ambos se atribuírem o mérito do que não fizeram. Não, os Espíritos não vêm isentar o homem da lei do trabalho: vêm unicamente mostrar-lhe a meta que lhe cumpre atingir e o caminho que a ela conduz, dizendo-lhe: Anda e chegarás. Toparás com pedras; olha e afasta-as tu mesmo. Nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXVI, nº 291 e seguintes.)
5. Do ponto de vista moral, essas palavras de Jesus significam: Pedi a luz que vos clareie o caminho e ela vos será dada; pedi forças para resistirdes ao mal e as tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão acompanhar-vos e, como o anjo de Tobias, vos guiarão; pedi bons conselhos e eles não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta e ela se vos abrirá; mas, pedi sinceramente, com fé, confiança e fervor; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças e as quedas que derdes serão o castigo do vosso orgulho.
Tal o sentido das palavras: buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. 

Fonte de Pesquisa: Kardec, Por Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Disponível em  http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/es/index.html. Capturado em: 28/ 08/ 2012.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

TEXTO PARA ESTUDO NO DOMINGO - 26 DE AGOSTO DE 2012

O PODER DA EDUCAÇÃO


 Uma questão importantíssima ao tratarmos da Educação é nos indagarmos até que ponto ela tem poder. O que aparentemente está em contradição com o poder da Educação é a liberdade individual. Por isso, pensam os conservadores que quanto mais se restringir a liberdade, maior é o poder de moldarmos o outro, dentro da concepção errônea de que educar seja fazer a personalidade do educando, de fora para dentro... Quem de fato não crê na anterioridade do Espírito – que já é uma personalidade antiga e portanto não pode ser moldada inteiramente, mas apenas influenciada – atribui à Educação um poder quase ilimitado. Mas, trata-se de um poder diretamente proporcional ao autoritarismo empregado. Claro, pois, se não respeitamos o educando uma personalidade independente da nossa, por mais que enfeitemos nosso discurso de liberalismo, o resultado da Educação será sempre a tentativa de modelar o outro segundo nossos padrões pessoais ou segundo regras sociais. O materialismo, assim, poderá até defender em alguns casos a liberdade individual e o direito inalienável de cada um decidir sobre o seu próprio destino. Mas então, ele não estará sendo coerente consigo próprio, pois quando o homem é considerado apenas um animal determinado pela genética ou, quando muito, um produto da cultura e da sociedade, resta-lhe pouca margem para liberdade de se fazer a si mesmo. Já vimos que existe um princípio de liberdade espiritual, que Deus estabeleceu como lei natural – pois Ele nos dá o mérito de evoluirmos por nossas próprias forças quando e como quisermos, tendo apenas de nos submeter às conseqüências dos nossos atos. Essa liberdade é condicionada por vários fatores. É verdade que a criança nasce uma condição de liberdade ainda mais limitada que o adulto, porque a sua temporária dependência física e psíquica é uma forma de restrição de sua ação no mundo. Mas ainda e sempre ela conserva a liberdade inalienável do seu espírito. E é isso que os adultos não lhe reconhecem. Os adultos têm um poder parcial sobre as crianças, que lhes foi dado para usar em benefício dela própria. Mas quase todos abusam desse poder, para usá-lo em benefício de seus interesses e caprichos, de seu comodismo e de suas tendências tirânicas. O poder da Educação muita vezes se transforma em tirania violenta ou disfarçada. Entretanto, dissemos que educar é amar e vice-versa. Por isso, o poder da Educação não é proporcional ao autoritarismo, à chamada “imposição de limites”, à disciplina externa, à coação violenta... Esses não são os métodos do amor. Pois o amor reconhece a dignidade do outro, respeita-lhe a liberdade individual. O poder da Educação, assim, é proporcional à grandeza do amor do educador pelo educando, à sua capacidade de renúncia e doação, ao seu interesse legítimo pela felicidade do outro, ao seu desinteresse por recompensas de qualquer espécie, mesmo afetivas, e à força do exemplo vivido. A Educação é tanto mais poderosa quanto mais reconhece a liberdade do educando de aceitar ou não a sua influência. Ao reconhecer essa liberdade no outro, o educador toca muito mais a sua alma do que com imposições violentas e descabidas. Esse reconhecimento não é indiferença, pois o poder da Educação é também proporcional ao esforço empregado para ajudar o educando a encontrar seus caminhos. O resultado do autoritarismo é imediato e previsível: pessoas enquadradas num padrão ou revoltadas; ou então muitas vezes hipócritas, pois a imposição lhes criou um comportamento exterior em antagonismo aos seus impulsos reais. O resultado da Educação de amor não se sabe qual será. Depende do grau de evolução do Espírito que a recebe, que pode assimilá-la mais ou menos. Depende da liberdade do educando, que pode aceitá-la ou rebelar-se contra ela (o que é raro, mas em caso de Espíritos muito rebeldes, pode acontecer). Depende das características individuais do educador e do educando e da maior ou menor afinidade espiritual entre ambos. A Educação verdadeira não cria autômatos, iguais, rebotizados. Cria indivíduos e a variedade de tendências individuais é infinita. Mas então, pode-se indagar: de que adianta a Educação, se não oferece um resultado absolutamente seguro? Primeiro é preciso dizer que a média geral da humanidade – como adverte o próprio Kardec – não é constituída de Espíritos endurecidos no mal. Por isso, o empenho colocado na Educação das crianças, para o Bem, apresentará inevitavelmente pelo menos algum resultado imediato. Uma Educação verdadeira, no atual estágio evolutivo do planeta, produzirá uma maioria de homens de bem, com tendências individuais variadas. Mas em todos os casos, a semeadura educativa terá algum resultado, seja a curto ou longo prazo. O amor doado jamais é perdido. O exemplo deixado sempre exerce uma influência cedo ou tarde sobre aquele que o observou. Não foi assim com Jesus? O pedagogo da humanidade lançou suas sementes de Educação evangélica há dois mil anos. Alguns começaram a desenvolvê-las naquela época mesmo. Mas a maioria só agora começa a compreendê-las e muito ainda nem sequer as aceitaram no solo da alma. E o esforço de Jesus não foi em vão. Mas Ele espera pacientemente há séculos que resolvamos atender ao seu apelo. 
Fonte de Pesquisa: Incontri, Dora – A Educação Segundo o Espiritismo – São Paulo: Edições FEESP, 1997. 47 a 49p.