sexta-feira, 3 de outubro de 2014

TEXTOS PARA ESTUDO DOMINGO DIA 05 DE OUTUBRO DE 2014

A VIOLÊNCIA NO CORPO E NA MENTE DO ADOLESCENTE

A adolescência sempre foi considerada um período difícil no desenvolvimento do ser humano, 

com mais desafios do que na infância, criando embaraços para o próprio 

jovem como para os seus pais e todos aqueles que com ele convivem. Trezentos anos 

antes de Cristo, Aristóteles escrevera que os adolescentes são impetuosos, irascíveis e 

tendem a se deixar levar por seus impulsos, demonstrando uma certa irritabilidade em 

relação ao comportamento juvenil. Por sua vez, Platão desaconselhava o uso de bebidas 

alcoólicas pelos jovens antes dos dezoito anos, em razão da rápida excitabilidade dos mesmos, e 

propunha: Não se despejar fogo sobre fogo. 

Os conceitos sobre a adolescência sempre ganharam aceitação, 

particularmente quando de natureza censória, intolerante. 

No século XVII, em sermão fúnebre, um clérigo afirmava que a juventude era 

como um navio novo lançado ao oceano sem um leme, sem lastro, ou piloto para dirigi-lo, como 

resultado de uma observação externa, sem aprofundamento, de modo que se 

pudesse compreender as significativas transformações que se operam no ser em 

formação, compelindo‐o para as atitudes anticonvencionais, período assinalado por 

mudanças estruturais. 

Essas mudanças, que se operam na forma física, repercutem significativamente na conduta 

psicológica, propondo diferentes relacionamentos com os companheiros, 

experimentando novos modelos educacionais, vivenciais, enquanto todo ele se encontra 

em maturação biológica apressada, sem precedentes na sua história orgânica. Nesse 

período, compreensivelmente, surgem os conflitos de identidade, em tentativas internas 

de descobrir quem é e o que veio fazer aqui na Terra. Logo depois surgem‐lhe as 

indagações de como conduzir‐se e qual a melhor maneira de aproveitar o período 

promissor, sem o comprometimento do futuro. 

Esse estado de mudanças pode ser breve, nas sociedades mais simples, mais 

primitivas, ou prolongado, nas tecnologicamente mais desenvolvidas, podendo dar‐se de 

maneira abrupta, ou através de uma gradual transição das experiências antes 

vivenciadas para as atuais desafiadoras. Em todas as culturas, porém, apresenta‐se com 

um caráter geral de identidade: alterações físicas e funcionais da puberdade, 

assinalando‐lhe o início inevitável. 

Os hormônios, que desempenham um fundamental papel na transformação orgânica e na 

constituição dos elementos secundários do sexo, igualmente interferem na 

conduta psicológica, fazendo ressuscitar problemas que se encontravam adormecidos 

no inconsciente profundo, na memória do Espírito reencarnado. Isto porque, a 

reencarnação é oportunidade de refazimento e de adestramento para desafios sempre 

maiores em relação ao si, na conquista da imortalidade. Na adolescência, em razão das 

transformações variadas, antigos vícios e virtudes ressumam como tendências e 

manifestam‐se, exigindo orientação e comando, a fim de serem evitados novos e mais 

graves cometimentos morais perturbadores. 

Localizada na base do cérebro, a hipófise tem importância especial na proposta 

do desenvolvimento da puberdade. Os seus hormônios permanecem inibidos até o 

momento que sucede um amadurecimento das células do hipotálamo, que lhe enviam 

sinais específicos, a fim de que os libere. Tal fenômeno ocorre em diferentes idades, 

nunca sendo no mesmo período em todos os organismos. 

Esses hormônios são portadores de uma carga muito forte de estímulos sobre 

as demais glândulas endócrinas, particularmente a tireoide, a adrenal, os testículos e os 

ovários, que passam a produzir e ativar os seus próprios, responsáveis pelo crescimento 

e pelo sexo. Surgem, então, os androgênios, os estrogênios e as progestinas, estas 

últimas responsáveis pela gravidez. No metabolismo geral, todos eles interagem de 

forma que propiciem o desenvolvimento físico e fisiológico simultâneos. 

Nesse período de transformações orgânicas acentuadas, o adolescente, não 

poucas vezes, sente‐se estranho a si mesmo. As alterações experimentadas são tão 

marcantes que ele perde o contacto com a sua própria realidade, partindo então para o 

descobrimento de sua identidade de forma estranha, inquieta, gerando distúrbios que se 

podem acentuar mais, caso não encontre orientação adequada e imediata. 

Em razão da dificuldade de identificação do si, o jovem tem necessidade de 

ajustar‐se à imagem do seu corpo, detendo‐se nos aspectos físicos, sem uma percepção 

correta da realidade, o que o conduz a conclusões equivocadas, a respeito de ser amado 

ou não, atraente ou repulsivo, por falta de uma capacidade real para a avaliação. 

Nas meninas, o ciclo menstrual surge de uma forma desafiadora e quase 

sempre causa surpresa, reação prejudicial, quando não estão preparadas, por ignorarem 

que se trata de um ajustamento fisiológico, ao mesmo tempo símbolo de maturidade 

sexual. A desorientação pode deixar sinais negativos no seu comportamento, 

particularmente sensações físicas dolorosas, rejeição e irritabilidade, na área 

psicológica, após a menarca. Outras sequelas podem ocorrer na pré ou na pós‐menstruação, 

exigindo terapia própria. 

Os rapazes, por sua vez, se não esclarecidos, podem ser surpreendidos com os 

fenômenos sexuais espontâneos, como a ereção incontrolada e as ejaculações 

desconhecidas. Nessa fase eles vivem um espaço no qual tudo pode tomar características 

de manifestação sexual: odor, som, linguagem, lembrança... Não sabendo ainda como 

administrar essas manifestações espontâneas do organismo, embaraçam‐se e 

descontrolam‐se com relativa facilidade. 

Certamente, os jovens da atualidade se encontram muito mais informados do 

que os outros das gerações passadas, não obstante esses conhecimentos estejam muito 

distorcidos na mente juvenil, o que perturba aqueles de formação tímida ou portadores de qualquer 

distúrbio ainda não definido. 

A questão da maturação sexual nos jovens não tem período demarcado, 

podendo ser precoce ou tardia, que resulta em estados de apreensão ou desequilíbrio, 

insegurança ou audácia, a depender da personalidade, no caso, do Espírito reencarnado 

com o patrimônio dos méritos e dívidas. 

O amadurecimento psicológico faz‐se, nessa ocasião, com maior rapidez do que 

na infância. Há mudanças cognitivas muito fortes, que desempenham um papel crítico 

para o jovem cuidar das demandas educacionais, sociais, vocacionais, políticas, 

econômicas, sempre cada dia mais complexas. 

As alterações nos relacionamentos, entre pais e filhos, propõem necessidade de 

maior intercâmbio no lar, a fim de proporcionar um desenvolvimento psicológico 

saudável, quanto intelectual, equilibrado. 

Uma outra questão muito significativa do momento da adolescência é o conflito 

entre o real e o possível, vivenciado pelo jovem em transição. Ao constatar que o real 

deixa‐lhe muito a desejar, porque se encontra num período de enriquecimento psíquico, 

torna‐se rebelde e transtorna‐se, o que não deixa de ser uma característica transitória 

do seu comportamento. 

A harmonia que se deve estabelecer entre o físico e o psíquico, libertando o 

adolescente da violência existente no seu mundo interior, será conseguida a esforço de 

trabalho, de orientação, de vivências morais e espirituais, o que demanda tempo e 

amadurecimento, compreensão e ajuda dos adultos, sem imposições absurdas, 

geradoras de outras agressões 

Fonte: Franco, Divaldo P., pelo espírito Joana de Angelis. Adolescência e Vida. Disponível em http://www.luzespirita.org.br/

leitura/pdf/L102.pdf.