sexta-feira, 13 de setembro de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 15 DE SETEMBRO DE 2013

Mediunidade em criança
 
A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobre [...] (Leon Denis).
 
A infância é uma fase que favorece a manifestação de fenômenos mediúnicos. É que a ação do Espírito recém-reencarnado sobre sua indumentária física não é completa: o acoplamento celular do perispírito com o corpo somente vai se concluir por volta dos sete anos de idade. Durante esse período, o anjo de guardo e os demais Espíritos interessados no sucesso do reencarnante vão estar mais amiúde em contato com ele, lembrando-lhe durante o sono e pela inspiração os compromissos assumidos e fortalecendo-o com palavras encorajadoras. Daí encontrarmos as crianças conversando com seus “amiguinhos imaginários”, sorrindo durante o sono, evidenciando estar vendo alguém ou alguma coisa que lhes agrada, enquanto os adultos nada percebem. Muitas vezes, as reações são contrárias: a criança chora dormindo, se assusta com “nada”, desperta aos gritos ou mal-humorada. São, às vezes, seus adversários, que, durante o desprendimento do Espírito pelo sono, estão a perturbar, dificultar sua jornada, não obstante o amparo dos bons Espíritos, cuja atuação tem limites, estabelecidos pelo uso do livre-arbítrio do Espírito reencarnado, mesmo na fase infantil. 
A mãe que bem compreende esses fenômenos busca, pela oração, o concurso dos benfeitores espirituais para fortalecer o seu filho nos primeiros trechos da nova experiência de vida - e a si mesma -, pois tem a missão de reeducá-lo e devolvê-lo ao Criador em melhor condição espiritual. Quando não compreende o que está se passando, deve recorrer ao estudo das obras básicas do Espiritismo e à orientação segura de uma Casa Espírita que funcione embasada nos postulados cristãos e na codificação kardecista.
Embora tais fenômenos possam ser denominados mediúnicos, não significa que a criança seja médium no verdadeiro sentido da palavra. Ela está sendo “mediunizada”, influenciada fortemente por entidades invisíveis, mas não se tem certeza que seja médium. Para tornar mais claro o que queremos dizer ouçamos as considerações que o Codificador faz a respeito: “Os médiuns são os intérpretes incumbidos de transmitir aos homens os ensinos dos Espíritos; ou melhor, são os órgãos materiais de que se servem os Espíritos para se expressarem aos homens por maneira inteligível” (EE: cap. 28, item 9). E, mais ainda, médium é somente aquele “em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva” (LM: item 159). Ora, se não é isso o que está acontecendo com sua criança, ela não é médium, no preciso significado do termo, e, por isso, não se deve buscar desenvolver o que ela não tem. 
- Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças?
- Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobreexcitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais. 
- Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo inconveniente?
- Não; quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece quando é provocada e sobreexcitada (LM: item 221, q. 6-7). 
Como vemos, pela imaturidade que a incapacita de lidar com a mediunidade e pelo desconhecimento do assunto, as crianças e os jovens, na sua grande maioria, não saberão fazer uso disciplinado de tão sublime e valorosa faculdade de que são portadoras. 
Mas quando deverá a criança ser encaminhada ao estudo e à responsabilidade da sua faculdade, desabrochando ela espontaneamente? Respondem os Espíritos ao Codificador: “Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas” (LM: item 221, q. 8)
A mediunidade não tem preconceitos de cor, idade, religião, sexo e moralidade, por essa razão ela aflora em qualquer pessoa, independentemente de crer ou não na comunicação com os Espíritos. Eclode, muitas vezes, em quem não detém valores morais a altura de usá-la a serviço do Bem, em consonância com as Leis Divinas e com os ensinamentos do Mestre Jesus. “A faculdade mediúnica” – assevera o professor Allan Kardec – “é uma propriedade do organismo e não depende das qualidades morais do médium; ela se nos mostra desenvolvida, tanto nos mais dignos , como nos mais indignos. Não se dá, porém, o mesmo com a preferência que os Espíritos bons dão ao médium” (QE: cap. 2, Item 79).
Não obstante o que aprendemos, a mediunidade, muitas vezes, eclode de maneira espontânea, em crianças que já vêm preparadas para a sublime tarefa, trazendo um mandato mediúnico. Os anais do Espiritismo dão exemplos de crianças e jovens cuja mediunidade desabrochou de forma espontânea, e somente o futuro disse o porquê de tão cedo se envolverem com tais fenômenos. 
De relance, lembramos de Eusápia Paladino (Itália: 1854-1918), com sua extraordinária mediunidade de efeitos físicos já na adolescência, que chamou a atenção de muitos estudiosos sérios, entre eles César Lombroso e Charles Richet. Lembramos de Carmine Mirabelli (1889-1951), nascido em Botucatu, São Paulo. Era considerado o médium mais completo do mundo, pois possuía todas as faculdades que se possa imaginar. Psicografou mensagens em 28 idiomas! e provocava materializações à luz do dia. Sua mediunidade aflorou na adolescência. Trabalhando numa loja de calçados, foi demitido porque os sapatos, graças àquela faculdade, desciam das prateleiras e caminhavam pelo balcão, assustando os fregueses. 
Merece destaque Ivone A. Pereira (1906-1984), nascida no município de Valença, no estado do Rio de Janeiro. É considerada uma das maiores médiuns do Brasil, não somente pelas suas obras mediúnicas, mas, acima de tudo, pela sua vida exemplar. Psicografou valiosas obras, entre elas os clássicos Recordações da mediunidade, Devassando o invisível, Memórias de um suicida. Em À Luz Consolador, conta que com um mês de idade quase foi enterrada viva devido a um ataque de catalepsia, fenômeno mediúnico pouco conhecido da ciência e dos estudiosos da mediunidade. Nessa obra autobiográfica, diz ela textualmente: “Nunca desenvolvi a mediunidade, ela apresentou-se por si mesma, naturalmente, sem que eu me preocupasse em atraí-la, pois, em verdade, não há necessidade em se desenvolver a faculdade mediúnica, ela se apresentará sozinha, se realmente existir, e se formos dedicados às operosidades espíritas”[1]. É oportuno acrescentar que o possuidor da faculdade mediúnica deverá educá-la, aprendendo, assim, a usá-la de forma racional e disciplinada a serviço do Bem, tal como fez Dona Pereira. 
Exemplo de mediunidade precoce, que a história jamais esquecerá, foi a de Francisco Cândido Xavier (1910-2002), nascido em Pedro Leopoldo, Minas Gerais. Revelou-se médium aos quatro anos de idade, no momento em que seus genitores conversavam a respeito de um aborto ocorrido com uma vizinha e usavam o episódio para criticá-la. De repente, Chico interrompeu o diálogo com palavras totalmente inesperadas para sua idade e incompreensíveis para os pais: “O senhor – diz o menino, está desinformado sobre o assunto. O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição ectópica”. João Cândico, o pai, perguntou espantado o que era nidação e ectópica, e o menino Chico respondeu que não sabia também e que apenas repetira as palavras que lhe haviam sido ditas por uma voz. Aflorava ali, de modo espontâneo, passivo e belo, o mandato mediúnico do Chico Xavier. 
No entanto, existem casos isolados de afloramento da mediunidade em crianças, que vão merecer uma apreciação toda especial e, indiferente aos cuidados ou ações contrárias dos pais e familiares, a faculdade se imporá, desde que o Espírito respeite o que prometeu a si e aos seus mentores antes de reencarnar. A família de Francisco Cândido Xavier e os amigos, por não compreenderem os fenômenos que com ela aconteciam, tudo fizeram para desviá-lo de sua missão, mas ele não se abateu e tornou-se o líder espiritual de mais de dois milhões de adeptos do Espiritismo, segundo o IBGE. Mas sabemos que esse número não retrata fielmente a verdade, já que milhares de brasileiros, mesmo adotando o Espiritismo na crença prática, declaram-se católicos por tradição. Chico Xavier sublimou a mediunidade e com ela abriu clarinadas de luz na história espiritual da Humanidade.
Para finalizar este capítulo, outra consideração se faz necessária. Determinadas manifestações mediúnicas pela criança, não raro, são respostas ao clima psíquico-espiritual reinante no ambiente doméstico, conforme nos alerta o estudioso da mediunidade Roque Jacintho: “[...] não olvidemos o quadro de perturbações momentâneas a que a criança está sujeita a sofrer em decorrência do clima espiritual desequilibrado de seu lar. Essas perturbações, muito freqüentes, poderão ser confundidas com mediunidade espontânea, mas cessarão tão logo o lar se reequilibre, porque eram efeitos e não a causa da ocorrência”[2]. O psicólogo suíço Carl Gustav Jung também estudou a influência do clima mental dos pais sobre os filhos. O criador da psicologia analítica, com sua forte intuição, percebera que:
 
[...] do mesmo modo que a criança, durante a fase embrionária, quase não passa de uma parte do corpo materno, do que depende completamente, assim também de modo semelhante a psique da primeira infância, até certo ponto, é apenas parte da psique materna e, logo depois, também da psique paterna, em conseqüência da atuação comum dos pais. Daí provém o fato de que as pertubações nervosas e psíquicas infantis, até muito além da idade escolar, por assim dizer, se devem exclusivamente a perturbações na esfera psíquica dos pais[3](grifamos).
Jung, por meio de sua mediunidade intuitiva, oferecia à ciência tradicional uma verdade que o Espiritismo já conhecia. 
 
 
Fonte: ALMEIDA, Waldehir Bezerra de. Criança: uma abordagem espírita. Matão-SP: Casa Editora “O Clarim”, 2007


[1] Ivone A. Pereira, em À Luz do Consolador, p. 15
[2] Roque JACINTHO, em Desenvolvimento mediúnico, p. 21.
[3][3] C. G. JUNG, em O desenvolvimento da personalidade, p. 57. 

sábado, 7 de setembro de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 01 DE SETEMBRO DE 2013

Não são os que gozam saúde que precisam de médico


11.  Estando Jesus à mesa em casa desse homem (Mateus), vieram aí ter muitos publicanos e gente de má vida, que se puseram à mesa com Jesus e seus discípulos; - o que fez que os fariseus, notando-o, disseram aos discípulos: Como é que o vosso Mestre come com publicanos e pessoas de má vida? - Tendo-os ouvido, disse-lhes Jesus: Não são os que gozam saúde que precisam de médico. (S. MATEUS, cap. IX, vv. 10 a 12.)
12. Jesus se acercava, principalmente, dos pobres e dos deserdados, porque são os que mais necessitam de consolações; dos cegos dóceis e de boa fé, porque pedem se lhes dê a vista, e não dos orgulhosos que julgam possuir toda a luz e de nada precisar. (Veja-se: "Introdução", artigo: Publicanos, Portageiros.)
Essas palavras, como tantas outras, encontram no Espiritismo a aplicação que lhes cabe. Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade devera ser atributo exclusivo dos de maior merecimento.Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. Ora, nenhuma há de que o homem, por efeito do seu livre-arbítrio, não possa abusar, e se Deus não houvesse concedido, por exemplo, a palavra senão aos incapazes de proferirem coisas más, maior seria o número dos mudos do que o dos que falam. l)cus outorgou faculdades ao homem e lhe dá a liberdade de usá-las, mas não deixa de punir o Se só aos mais dignos fosse concedida a faculdade de comunicar com os Espíritos, quem ousaria pretendê-la? Onde, ao demais, o limite entre a dignidade e a indignidade? A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para os corrigir. Não são estes últimos os doentes que necessitam de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria do socorro que o pode arrancar ao lameiro? Os bons Espíritos lhe vêm em auxílio e seus conselhos, dados diretamente, são de natureza a impressioná-lo de modo mais vivo, do que se os recebesse indiretamente. Deus, em sua bondade, para lhe poupar o trabalho de ir buscá-la longe, nas mãos lhe coloca a luz. Não será ele bem mais culpado, se não a quiser ver? Poderá desculpar-se com a sua ignorância, quando ele mesmo haja escrito com suas mãos, visto com seus próprios olhos, ouvido com seus próprios ouvidos, e pronunciado com a própria boca a sua condenação? Se não aproveitar, será então punido pela perda ou pela perversão da faculdade que lhe fora outorgada e da qual, nesse caso, se aproveitam os maus Espíritos para o obsidiarem e enganarem, sem prejuízo das aflições reais com que Deus castiga os servidores indignos 
e os corações que o orgulho e o egoísmo endureceram. A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. E apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral. O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência. Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade. 

Fonte: Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 
Brasília: Feb, 1944.

sábado, 31 de agosto de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 01 DE SETEMBRO 2013

SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA

O suicídio é um suposto meio de fugir dos sentimentos de impotência ou de incapacidade de solucionar conflitos e situações problemáticas. Um tipo de comportamento em que se busca encontrar uma “chave de ouro” para as dificuldades existenciais; e ele surge então como a única via possível.  
Significa um pedido de ajuda, um grito de aflição e de desespero.
Ela é a expressão de um desejo de mudança, uma vontade de acabar com a situação infeliz cuja única saída está aparentemente bloqueada. A propósito, a intencionalidade, na maioria das vezes, é mudar – não pôr fim à vida.
O autocídio na adolescência é um acontecimento nefasto e que cresce de modo progressivo; ocupa um expressivo lugar na escala de causas da mortalidade juvenil, segundo as estatísticas atuais.
A taxa de suicídio na mocidade é subestimada, pois só se leva em conta os números oficializados pelas autoridades competentes (suicídios públicos e evidentes), deixando de lado as chamadas “mortes acidentais”: acidentes automobilísticos, corridas de carro não autorizadas (“rachas”), os popularmente chamados “cavalos de pau”, “roletas-russas” e outros tantos.
Esses “acidentes fatais” representam, inúmeras vezes, suicídios indiretos, em que o indivíduo, incapaz de concretizar atos destrutivos conscientemente, os faz em níveis mais profundos da inconsciência. Podemos dizer que há um “desejo de morte” sem que exista uma intenção clara de morrer.
Atividades perigosas e impulsos insanos, não obstante claros e evidentes fora de nós, começam em nós e se nutrem de nós mesmos.
A adolescência é um das fases mais favoráveis à atitude suicida. É importante salientar que é um espaço de tempo onde ocorrem mudanças consideravelmente profundas. Na juventude, a garantia e segurança da infância foram deixadas de lado para que se possa entrar no mundo novo do adulto.
O adolescente quer ser livre, embora dependa, em muitas situações, dos parentes, sobretudo dos pais. Sua aparência física se transforma e ele perde o referencial, sente-se desajeitado, atrapalhado, se graça e incapacitado de atrair. Uma modificação do “eu consciencial” advém dessas mudanças corporais e emocionais.
No aspecto sexual, ele tem que discernir sua identidade sexual para poder estabelecer relação com o outro, o que o faz gastar muita energia. Seu campo emocional é intenso, tudo está em constante avaliação: os relacionamentos, a estrutura física, as muitas exigências sobre ele e consigo próprio. Todas essas alterações são complicadas e de difícil assimilação.
Obviamente, o livre-arbítrio nos dirige as resoluções em todas as áreas da vida, contudo é necessário observar que o abandono dos compromissos assumidos ante a Vida Maior é sempre lamentável, porque, se na esfera de ação que vivemos atualmente, surgem problemas a suplantar, esses mesmos obstáculos negligenciados poderão reaparecer com a mesma intensidade noutros ambientes do porvir.
O jovem com ideias suicidas se vê sinistro, perverso e incriminável. Ele ainda não se contenta com seu modo de ser e demonstra não ter confiança em seus atos e julgamentos.
Qual a causa do suicídio na adolescência? Dar uma resposta simples e sintética para essa questão complexa nos parece impróprio.
Somos de parecer que a causa do suicídio juvenil não pode ser encontrada de modo apressado e irrefletido, e sim em seu histórico pregresso, nos problemas vivenciados nas existências passadas, nos conflitos recentes da infância, nos processos obsessivos e auto-obsessivos e outras tantas tribulação existenciais. É bom lembrar que não existe processo obsessivo contra a vontade ou sem a permissão de alguém; atraímos ou repelimos ondas mentais que se juntam às nossas, edificando-nos para a saúde ou para enfermidade.
É como se houvesse um escalonamento de dificuldades que há muito foram se justapondo até alcançar a fase da adolescência.
Então, uma última dificuldade pode ser a gota d’água para desencadear a crise e a tentativa de suicídio. Todavia, é preciso dizer que nem sempre uma crise acaba conduzindo ao suicídio; ela pode levar a criatura a passar “do verde ao maduro”, ou seja, da infantilização à madureza, onde encontrará capacidade de agir, refletir ou realizar qualquer coisa de maneira racional, equilibrada e sensata.
Seres existem tão conturbados além-túmulo, com dificuldades decorrentes do suicídio, que necessitam de internação quase que imediata no organismo físico para tratamento da desarmonia interior que o motivou ao gesto desvairado.
“(...) A propagação das ideias materialistas é, pois, o veneno que inocula, em um grande número, o pensamento do suicídio, e aqueles que se fazem seus apóstolos assumem sobre si uma terrível responsabilidade. Com o Espiritismo, não sendo mais permitida a dúvida, o aspecto da vida muda; o crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente além do túmulo, mas em outras condições; daí a paciência e a resignação que afastam, muito naturalmente, o pensamento do suicídio (...)[1]
Na realidade, não podemos esquecer que existem muitas lendas e mitos a respeito do suicídio. Entre eles, afirma-se que ou é covarde ou é corajoso. Na realidade ele deseja apenas parar de sofrer. Não atenta contra sua vida por covardia ou coragem, mas porque sua existência se tornou insuportável e ele, alienado, não vislumbra de imediato outra solução.
Enfim, os “suicidas” carecem mais de mãos estendidas – cuidado, acolhimento e atenção – do que de mãos de ferro – crítica, censura e punição.



Fonte: SANTO NETO, Espírito Santo (médium). Ivan de Albuquerque (ditado por). Adolescência: Causa da (In)Felicidade. São Paulo – SP: Boa Nova, 2010.



[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 5, item 16, Boa Nova Editora.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

PALESTRA DOMINGO 25 DE AGOSTO DE 2013: TEMA - O TEMPO DE AMAR CHEGOU

Olá participantes da Escola de Pais,

No próximo domingo (25/08/13) teremos como atividade da E.P. uma palestra. 
Veja maiores detalhes abaixo.

Palestra: O tempo do amor chegou

Palestrante: Lúcia Vanda Rodrigues
Presidente e fundadora do Centro Espírita Lar de Francisco (CELARF - Bom Jardim /  Fortaleza-CE). Oradora espírita e médium.
Assistente Social,  Mestre em Educação e Doutoranda em Educação Brasileira (UFC).

Na ocasião da palestra será ofertado o livro "Promessa Divina", psicografado pela palestrante + ingresso para show do Grupo AME, mediante o investimento de R$ 20,00. Os recursos arrecadados serão revertidos para a construção da Fundação Espírita Lar de Clara - FELARC, tarefa assistencial do Lar de Francisco. Os terrenos da Fundação ficam localizados no Loteamento Serra Verde, em Pacatuba, vizinho a comunidade da Nova Monguba, que será beneficiada pelos trabalhos desenvolvidos na FELARC. 

Aproveitemos essa oportunidade de esclarecimento sobre tão relevante temática.

Paz e bem
Dário
Coordenador da Escola de Pais
GEPE Piedade

sábado, 17 de agosto de 2013

FESTA DIA DOS PAIS 18 DE AGOSTO DE 2013


Segue nossa programação definitiva  para o Dia dos Pais(18-08-2013).
9 hs- Salão de cima- Todos reunidos.
           Abertura- Saudação inicial. Rosane.
                              Leitura de  mensagem.
                                 Prece inicial- Elis.
9:10- Convidaremos um jovem da MEPE ( Emmanuel) para   ser o narrador.
9:15-Apresentação da mães da Acolhida e Maternal- música ( Cativar).
9:20 - Apresentação musical de um pai da EP(Geraldo) ao violão  e sua filha Larissa tocando flauta. Serão tocadas 3 musicas.
9:30-Brincadeiras sugeridas pelos Evangelizadores: Pais e filhos.

 1- Campeonato das laranjas;
 2- Campeonato de colocação de fraldas;
 3- Campeonato de estourar balões;
 4- Campeonato de perguntas e respostas sobre a Doutrina Espirita ( 6 perguntas); 
 5- Pais e/ou responsáveis reconhecerão seus filhos de olhos vendados;
 6- Filhos com a ajuda das mães tentarão de olhos vendados reconhecer seus pais;
 7- Corrida dos 3 pés;

10:15: Apresentação de uma poesia pela MEPE- Mário.
10:20:- Apresentação musical e teatral pela MEPE."Meu Querido,Meu velho, Meu amigo."
10:30- Encerramento e agradecimentos. Rosane.
             Prece final- Dário.  Passe Coletivo.



A entrega das lembrancinhas deverão ser feitas pelos evangelizadores as crianças, para que as mesmas entreguem a seus responsáveis após o passe coletivo. Avisarei para que permaneçam no salão. Logo após convidaremos os pais para o lanche oferecido pelas mães da EP.


OBS: Convidamos a todos para chegarem as 8 hs para colaborarem com a organização do salão; enfeitando com cartazes( confeccionados pelas crianças e evangelizadores ), bem como retirando as  cadeiras,pois  delimitaremos espaços no chão com fitas coloridas por turmas para que as crianças possam sentar com seus responsáveis, divisão da organização das brincadeiras e entrega dos brindes e para Prece inicial dos trabalhadores.

Lembramos ainda a importância de  durante os dias que antecedem  ao nosso evento; buscarmos  na prece o equilibrio e as boas vibrações do plano superior para que tudo transcorra na Paz  do Senhor.

 Jesus o Cristo conta com a presença de todos !  
Forte abraço.
Coordenações da EI, EP e MEPE.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 11 DE AGOSTO DE 2013

OBSESSÃO NA INFÂNCIA
 
A obsessão na infância é um capítulo muito expressivo para integrar a relação das psicopatogêneses dos disrúrbios de comportamento e mentais, necessitando urgente atendimento especializado, desse modo facultando oportunidades para a recuperação do paciente, para a sua saúde, para o ressarcimento dos seus débitos através do bem que deverá fazer, ao invés do sofrimento que experimenta.[1] 
No capítulo 4 da obra Sexo e Destino, os Espíritos Anacleto e Philomeno de Miranda observam o Padre Mauro (encarnado) no educandário onde trabalhava como professor. No pátio do colégio, Philomeno foi atraído pela animação intensa e jovial das crianças em movimentação. Surpreso, observou que todas elas estavam acompanhadas por Espíritos que apresentavam diversificados caracteres morais, sendo alguns entidades cruéis, que, desde cedo, intentavam perturbá-las psiquicamente. A informação não nos deixa dúvidas quanto ao fato de que a criança, desde o nascimento, poderá estar acompanhada por seres invisíveis com a intenção de levá-la ao fracasso dos seus intentos na atual existência. Continuando com o relato do que observava espantado, o estudiosos Espírito, sempre interessado em compreender cada vez melhor o conúbio entre encarnados e desencarnados, com a finalidade de minimizar as funestas conseqüências físicas e morais para os envolvidos, revela que diversas daquelas crianças “situam-se em processo obsessivo, já que o intercâmbio mental entre os desencarnados e elas era pode demais estreito!” (grifamos) 
É consolador saber que, não obstante ser a criança um Espírito ve1ho, que alberga em si muitas experiências evolutivas, nesse período da infância, recebe maior apoio espiritual, tendo em vista resguardar o programa reencarnacionista a que se submeteu. Como se explica, então, diante da proteção especial, a instalação do processo obsessivo na criança? perguntará o leitor com justa razão. O mentor Anacleto esclarece que a obsessão na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência procedente da erraticidade, significando, portanto, que os Espíritos vingativos e viciados reencontram suas vítimas no Além-túmulo e a elas se imantam. Suas influências perniciosas não impedem o processo reencarnatório, é certo, mas criam sérios percalços, dos quais citamos alguns: 
- graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais, alunos e professores;
- irritações, agressividade, indiferença emocional e perversidade;
- dificuldade de compreensão e lentidão no pensamento;
 - enfermidades físicas e distúrbios mentais ou psicológicos. 
Conta-nos a saudosa médium Ivone A. Pereira um caso interessante, o qual resumiremos para o leitor, ficando o convite para consultar a referida obra, objetivando saber mais sobre este assunto.
Uma garota, parente da médium, apresentava comportamentos não comuns a uma criança de dez anos de idade. Consultados os Espíritos, ficou patente a influenciação de seres desencarnados. A menina se apresentava com trejeitos cômicos, caretas horríveis, palavreado piegas ou atrevido, irritando os familiares e escandalizando os estranhos. Além do mais, rebelava-se contra qualquer ação disciplinadora, fazendo-lhe acreditar portadora de distúrbios mentais. Castigos foram aplicados sem nenhum resultado. Rejeitava a prece e os passes que lhe desejavam aplicar. Mas, às vezes, mostrava-se normal, conversava inteligentemente, demonstrando precocidade. 
Consultado o Espírito Charles, um dos mentores da médium, disse ele: “Ela afinou-se com entidades inferiores durante estágio no Espaço, antes da reencarnação. Arrependimento sincero, porém, levou-a, a tempo, a se retirar das mesmas, e desejar encaminhar-se para melhores planos. É médium, ou antes, possuiu faculdades mediúnicas, que futuramente poderão frutificar generosamente, a serviço do próximo, se bem cultivadas. Os antigos companheiros do Invisível assediam-na, tentando reavê-la para o sabor de velhos conluios. Conhecereis o remédio para tais desarmonias. Aplicai-o!”[2]
Ao se constatar, com certeza, que a criança apresenta comportamentos muito diferente do das outras com as quais brinca e convive; que é incontrolável, alternando dos estados agressivos aos de quietude depressiva e, algumas vezes, tentando a autodestruição, pode-se concluir que esteja em processo obsessivo. Nesses casos, o mecanismo terapêutico é um tanto complexo em face de uma enorme ausência de cooperação consciente do enfermo infantil, mas alguns procedimentos – além dos mencionados no capítulo anterior – podem ser encaminhados: 
- tratamento espiritual sério e bem orientado;
- passes magnéticos e água fluidificada; 
- evangelização sob a luz do pensamento espírita; 
- psicoterapia do amor, do esclarecimento, da paciência dos genitores, familiares e educadores, quando possível;
- atitude enérgica, mas sem violência, levando-o a respeitar os limites da sua atuação;
- culto do Evangelho no lar, com a participação dela, mesmo que pareça passiva e que se mantenha inquieta, caso em que os pás devem buscar meios pedagógicos de entretê-la.
O afastamento dos obsessores, que se sentem lesados por razões que desconhecemos, não é nada fácil. Dominados pelo ódio, mostram-se intransigentes e irredutíveis; cristalizados no sentimento de ódio, são refratários a todo tipo de tentativa de esclarecimento. Muitos obsessores são hábeis e inteligentes, perfeitos estrategistas que planejam cada passo e acompanham as “vítimas” por algum tempo, observando suas tendências, seus relacionamentos, seus ideais. Identificam seus pontos vulneráveis e as exploram impiedosos. É fundamental confiar na ajuda das Potestades do Bem buscando o bem. Quando a criança está sofrendo assédio espiritual, toda a família também está, pois ninguém é parente por acaso. 
                         
Fonte: ALMEIDA, Waldehir Bezerra de. Criança: uma abordagem espírita. Matão-SP: Casa Editora “O Clarim”, 2007 


[1]                      Divaldo Pereira FRANCO, em Sexo e Obsessão, pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda, p. 56. 
[2]                      Ivone A. PEREIRA, em Devassando o invisível, p. 107-108.

sábado, 3 de agosto de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 04 DE AGOSTO DE 2014

OS INIMIGOS DESENCARNADOS 

5. Ainda outros motivos tem o espírita para ser indulgente com os seus inimigos. 

Sabe ele, primeiramente, que a maldade não é um estado permanente dos homens; que 

ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos 

seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom.

inimigo, pois que este o pode perseguir com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado 

a Terra; que, assim, a vingança, que tome, falha ao seu objetivo, visto que, ao contrário, 

tem por efeito produzir maior irritação, capaz de passar de uma existência a outra. 

Cabia ao Espiritismo demonstrar, por meio da experiência e da lei que rege as relações 

entre o mundo visível e o mundo invisível, que a expressão:  extinguir o ódio com o 

sangue é radicalmente falsa, que a verdade é que o sangue alimenta o ódio, mesmo no 

além-túmulo. Cabia-lhe, portanto, apresentar uma razão de ser positiva e uma utilidade 

prática ao perdão e ao preceito do Cristo: Amai os vossos inimigos. Não há coração tão 

perverso que, mesmo a seu mau grado, não se mostre sensível ao bom proceder. 

Mediante o bom procedimento, tira-se, pelo menos, todo pretexto às represálias, 

podendo-se até fazer de um inimigo um amigo, antes e depois de sua morte. Com um 

mau proceder, o homem irrita o seu inimigo, que então se constitui instrumento de que 

a justiça de Deus se serve para punir aquele que não perdoou.

6. Pode-se, portanto, contar inimigos assim entre os encarnados, como entre os 

desencarnados. Os inimigos do mundo invisível manifestam sua malevolência pelas 

obsessões e subjugações com que tanta gente se vê a braços e que representam um 

gênero de provações, as quais, como as outras, concorrem para o adiantamento do ser, 

que, por isso; as deve receber com resignação e como conseqüência da natureza inferior 

do globo terrestre. Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria Espíritos 

maus ao seu derredor. Se, conseguintemente, se deve usar de benevolência com os 

inimigos encarnados, do mesmo modo se deve proceder com relação aos que se acham 

desencarnados.

Outrora, sacrificavam-se vítimas sangrentas para aplacar os deuses infernais, que 

não eram senão os maus Espíritos. Aos deuses infernais sucederam os demônios, que 

são a mesma coisa. O Espiritismo demonstra que esses demônios mais não são do que 

as almas dos homens perversos, que ainda se não despojaram dos instintos materiais; 

que ninguém logra aplacá-los, senão mediante o sacrifício do ódio existente, isto é, 

pela caridade;  que esta não tem por efeito, unicamente, impedi-los de praticar o mal 

e, sim, também o de os reconduzir ao caminho do bem e de contribuir para a salvação 

deles. E assim que o mandamento:  Amai os vossos inimigos  não se circunscreve 

ao âmbito acanhado da Terra e da vida presente; antes, faz parte da grande lei da 

solidariedade e da fraternidade universais. 

Fonte: Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 

Brasília: Feb, 1944. 

Sabe também que a morte apenas o livra da presença material do seu

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

MENSAGEM SOBRE A ESCOLA DE PAIS


A Evangelização Infantil, Mocidade Espírita e Escola 
de Pais têm como missão promover o ensino e 
prática da Doutrina Espírita nas nossas famílias. Venha com os seus filhos para essa atividade e cultive a paz no seu lar.

Dia: Domingo

Horário: 09h as 10h30min 

Local: Em todas as sedes do GEPE (Piedade, Água Fria, Praia do Futuro e Messejana)

terça-feira, 16 de julho de 2013

VII ENCONTRÃO DE EVANGELIZADORES

Olá pessoal,
Convido-lhes a se inscreverem para participar do VII Encontrão de Evangelizadores, que irá ocorrer entre os dias 19 e 21 de julho. Lembrando que no dia 21 não teremos atividades com as famílias na Piedade para que possamos nos fazer presentes nesse encontro. O tema do encontro desse ano será a "Inclusão". Mais informações, como contatos para inscrição e locais onde ocorrerão o evento, podem ser verificadas no cartaz ao lado.

Abraço 
Dário
Coordenador da Escola de Pais
GEPE Piedade



sábado, 13 de julho de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 14 DE JULHO DE 2013

A quem puxou essa criança?
 
O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito (LE: q. 207).
 
- A quem puxou essa criança, agindo dessa forma? 
Este é um questionamento tradicional e corriqueiro que ouvimos de muitos ao presenciarem a ação ou reação de uma criança diante de certas situações ou estímulos. Sem dúvida, a pergunta tem origem na crença materialista de que os filhos herdam os caracteres morais e psicológicos dos pais ou de seus antepassados. Resquício inconsciente do traducionismo, doutrina religiosa que postula serem os filhos derivação da alma dos pais no momento de sua geração, como um ramo deriva da árvore. Santo Agostinho esposava esse pensamento, o qual foi adotado por muitos teólogos protestantes, pois ajuda a explicar a transmissão do pecado original. O traducionismo se opõe ao criacionismo do qual falamos quando tratamos da origem da alma. 
A crença na hereditariedade de características psicológicas, intelectuais e morais é tão forte que até mesmo os pais espíritas, sabedores de que o Espírito não herda do Espírito, deixam-se vencer pelo atavismo e chegam a responder à pergunta acima, dizendo que “puxou ao pai”, ou “puxou à mãe", ou mesmo “ao avô ou avó”, e assim por diante.
Quais prejuízos poderão causar essa falsa concepção dos pais na educação moral e espiritual de seus fi1hos?
Ora! admitindo-se que a criança puxou a alguém da família nos seus caracteres morais, diminui, inconscientemente, a disposição dos pais de corrigi-la por não “ter culpa de ser como é": seus pendores morais foram herdados de alguém, até mesmo bastante respeitado pelo que foi e pelo que fez. Vai surgir uma pontinha de vaidade que fortalece a concepção errada, mas cômoda do ponto de vista da educação, como se aquele alguém fosse a criança de hoje. Fica no trono o determinismo biológico, como querem os materialistas. Os genitores, acomodando-se à teoria da herança moral descuidam-se de ver nos procedimentos do seu filho as suas tendências espirituais que devem ser levadas em alta consideração.
É vital para a reeducação espiritual da criança que essa filosofia seja rejeitada, dando 1ugar ao ensinamento dos Espíritos Superiores a Allan Kardec. Com eles aprendemos o verdadeiro porquê das semelhanças morais entre pais, filhos e demais parentes consangüíneos, explicadas pela afinidade espiritual entre si.
O Codificador pergunta aos Espíritos de onde se originam as parecenças morais que costumam haver entre pais e filhos, e a resposta foi que “uns e outros são Espíritos simpáticos que reciprocamente se atraíram pela analogia dos pendores” (LE: q. 207). Nós, Espíritos imortais, ao longo de nossas experiências na esteira do tempo, assumimos diversas personalidades e vamo-nos filiando aos que se nos assemelham em ideais, hábitos e gostos, formando assim, uma grande comunidade, cujos membros - numa primeira hipótese – se comprazem em se reencontrar na mesma família, como filhos, pais, irmãos, primos, avós etc., e - numa segunda hipótese - são atraídos, independentemente de suas vontades, pela lei de afinidade, a se reunirem para um ajuste com as leis divinas. Vo1tamos, portanto, ao mundo físico por diversas vezes, em famílias consangüíneas diferentes e nos aproximamos socialmente uns dos outros por razões de afinidades e imperativo da lei de causa e efeito. Se dois jovens se reencontram para o matrimônio programado no mundo espiritual seus futuros fi1hos poderão ter semelhanças morais muito fortes com os avós ou com alguém das duas famílias, por fazerem parte da grande comunidade espiritual. 
Quanto às semelhanças físicas, a essas se submete, relativamente,o Espírito ao reencarnar, segundo as suas necessidades, ou seja, em conformidade com seus merecimentos e sua programação de vida. Dissemos “relativamente” porque a lei da hereditariedade nem sempre submete o Espírito. André Luiz ensina que "o corpo herda naturalmente do corpo, segundo as disposições da mente que se ajusta a outras mentes, nos circuitos da afinidade, cabendo, pois, ao homem responsável reconhecer que a hereditariedade relativa mas não compulsória lhe talhará o corpo físico de que necessita em determinada encarnação [...]”[1] (grifamos). Logo, a consciência profunda do Espírito reencarnante é que interfere na genética e determina a organização celular. O estágio evolutivo do reencarnante vai estabelecer o quanto ele se submeterá aos imperativos genéticos dos seus pais, considerando ainda os propósitos da nova experiência na carne. Se para ele for significativo adquirir como herança genética tal ou qual desarmonia somática de um dos seus país, assim acontecerá para que o fato venha a cooperar com seu progresso moral. Caso contrário, renascerá com total integridade física e mental, não apresentando nenhuma desarmonia biológica e psíquica.
O conhecimento dessa realidade contribui substancialmente para que os pais melhor conduzam a educação dos seus filhos: Espíritos na busca de sua libertação, necessitando contar com o amor e a força moral daqueles. Ter a certeza de que “os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações" (EE: cap. IV, itern 18) favorece o entendimento de que pais e filhos estão juntos novamente e por uma única razão: a de aprenderem a se amar e de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento.
Detectadas as semelhanças de caráter entre pais e filhos ou com outros parentes, convêm aos genitores refletir a respeito. Se boa a semelhança, cooperar para que a alma a cultive; se má, buscar corrigi-1a.
Os pais, despindo-se da vaidade, deverão se considerar, também, responsáveis por tal ou qual traço de caráter do seu filho, pois, em se tratando de moral, não sendo produto da educação deformada, será da afinidade espiritual, conforne aprendemos. Diante desta verdade, não há por que admitir que os caracteres morais dos fihos são heranças psicológicas desse ou daquele membro da família consangüínea. Vale lembrar que somos um Espírito com um corpo, e não um corpo com um Espírito, cabendo a este o domínio sobre aquele. “A matéria é apenas o envoltório do Espírito como o vestuário o é do corpo. Unindo-se a este, o Espírito conserva os atributos da natureza espiritua1" (LE:q.367). 
 
 
Fonte: ALMEIDA, Waldehir Bezerra de. Criança: uma abordagem espírita. Matão-SP: Casa Editora “O Clarim”, 2007 



[1] Francisco Cândido XAVIER e Waldo VIEIRA, em Evolução em dois mundos, pelo Espírilo André Luiz, p. 58-59.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 07 DE JULHO DE 2013

O HOMEM DE BEM

3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
            Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.
            Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
            Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.
            Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
            Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.
            O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
            Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
            Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
            Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.
            É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.”
            Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
            Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.
            Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.
            Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.
            Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.
            Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.
            O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9)
            Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.
            Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.


Fonte: Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Feb, 1944.