sexta-feira, 19 de abril de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 21 / 04 / 2013


O adolescente: possibilidades e limites

Na quadra primaveril da adolescência tudo parece fácil, exatamente pela falta de vivência da realidade humana. O adolescente examina o mundo através das lentes límpidas do entusiasmo, quando se encontra em júbilo, ou mediante as pesadas manchas do pessimismo que no momento lhe dominam as paisagens emocionais. A realidade, no entanto, difere de uma como de outra percepção, sem os altos vôos do encantamento nem os abismos profundos do existencialismo negativo.  
A vida é um conjunto de possibilidades que se apresentam para ser experimentadas, facultando o crescimento intelecto‐moral dos seres. A forma como cada pessoa se utiliza desses recursos redunda no êxito ou no desar, não sendo a mesma responsável pela glória ou pelo insucesso daqueles que a buscam e nela se encontram envolvidos.
Para o jovem sonhador, que tudo vê róseo, há muitos caminhos a percorrer, que exigem esforço, bom direcionamento de opção e sacrifício. Toda ascensão impõe inevitável cota de dedicação, como é natural, até que a conquista dos altiplanos delineie novos horizontes ainda mais amplos e fascinantes.
Assim, as possibilidades do adolescente estão no investimento que ele aplica para a conquista do que traça como objetivo. Nesse período, tem‐se pressa, porque todas as manifestações são rápidas e os acontecimentos obedecem a um organograma que não pode ser antecipado, esperando que se consumem os mecanismos propiciatórios à sua realização.
Ansioso pelos voos que pretende desferir, pensa que as suas aspirações podem ser transformadas em realidade de um para outro momento, e, quando isso não ocorre, deixa‐se abater por graves frustrações e desânimo. No entanto, através desse vaivém de alegria e desencanto passa a entender que os fenômenos existenciais independem das suas imposições, provindo de muitos fatores que se conjugam para oferecer resultado correspondente.
Nessa sucessão de contrários, amadurece‐lhe a capacidade de compreensão e aprimora‐se a faculdade de planejar, auxiliando‐o a colocar os pés no chão sem a perda do otimismo, que é fator decisivo para o prosseguimento das aspirações e da sua execução contínua.
Face à constituição da vida, não basta anelar e querer, mas produzir e perseverar. Esse meio de levar adiante os planos acalentados demonstra que há limites em todos os indivíduos, que não podem ser ultrapassados, e que se apresentam na ordem social; moral, econômica, cultural, científica, enfim, em todas as áreas dos painéis existenciais.
Os acontecimentos são conforme ocorrem e não consoante se gostaria que sucedessem, isto é, nadar contra a correnteza pode exaurir o candidato que vai atirado à praia, onde chega após grandes conquistas e ali morre sem alcançar a vitória.
A sabedoria, que decorre das contínuas lutas, demonstra que se deve realizar o que é possível, aguardando o momento oportuno para novos cometimentos. Especificamente, cada dever tem o seu lugar e não é lícito assumir diversos labores que não podem ser executados de uma só vez.
A própria organização física constitui limite para todos os indivíduos. Quando se exige do organismo além das suas possibilidades, os efeitos são negativos, portanto, desanimadores. Daí, o limite se encontra na capacidade das resistências física, moral e mental, que constituem os elementos básicos do ser humano, e no enfrentamento com os imperativos da sociedade, da época em que se vive, etc.
Certamente, há homens e mulheres que se transformaram em exceção, havendo pago pesados ônus de sacrifício, graças ao qual abriram à História páginas de incomparável beleza. Simultaneamente, também, houve aqueles que mergulharam no fundo abismo do desencanto, deixando‐se dominar por terríveis angústias que lhes estiolaram a alegria de viver e os maceraram, levando‐os a estados profundamente perturbadores, porque não possuíam essas energias indispensáveis para as conquistas que planejaram.
Ao moço compete o dever de aprender as lições que lhe chegam, impregnando-se das suas mensagens e abrindo novos espaços para o futuro. Quando arrebatado pelo entusiasmo, considerar que há tempo para semear como o há para colher; quando deprimido, liberar‐se das sombras pelo esforço de ascender às regiões onde brilha a luz da esperança, compreendendo que a marcha começa no primeiro passo, assim como o discurso mais inflamado tem início na primeira palavra. Todas as coisas exigem planificação e tentativa. Aquele que se recusa experimentar, já perdeu parte do empreendimento. Não há por que recear o insucesso. Esse medo da experimentação já é, em si mesmo, uma forma de fracasso. Arriscar‐se, no bom sentido do termo, é intensificar os esforços para produzir, mesmo que, aparentemente, tudo esteja contra. Não realizando, não tentando, é claro que as possibilidades são infinitamente menores. Sempre vence aquele que se encontra alerta, que labora, que persiste.
A atitude de esperar que tudo aconteça em favor próprio é comodidade injustificável; e deixar‐se abater pelos pensamentos pessimistas, assim como pelas heranças autodepreciativas, significa perder as melhores oportunidades de crescimento interior e exterior, que se encontram na adolescência. Esse é o momento de programar; é o campo de experimentação.
Quando o jovem começa a delinear o futuro não significa que haja logrado a vitória ou perdido a batalha, apenas está traçando rotas que o levarão a um ou a outro resultado, ambos de muito valor na sua aprendizagem, em torno da vida na qual se encontra.
A perseverança e o idealismo sem excesso responderão pelo empreendimento iniciado. O adolescente não deve temer nunca o porvir, porquanto isso seria limitar as aspirações, nem subestimar as lições do cotidiano, que lhe devem constituir mensagens de advertência, próprias para ensinar‐lhe como conseguir os resultados superiores.
Assim, nesse período de formação, de identificação consigo mesmo, a docilidade no trato, a confiança nas realizações, a gentileza na afetividade, o trabalho constante, ao lado do estudo que aprimora os valores e desenvolve a capacidade de entendimento, devem ser o programa normal de vivência. Os prazeres, os jogos apaixonantes do desejo, as buscas intérminas do gozo cedem lugar aos compromissos iluminativos, que desenham a felicidade na alma e materializam‐na no comportamento.
Ser jovem não é, somente, possuir força orgânica, capacidade de sonhar e de produzir, mas, sobretudo, poder discernir o que precisa ser feito, como executá‐lo e para que realizá‐lo.
A escala de valores pessoais necessita ser muito bem considerada, a fim de que o tempo não seja empregado de forma caótica em projetos de secundária importância, em detrimento de outros labores primaciais, que constituem a primeira meta existencial, da qual decorrerão todas as outras realizações.
São infinitas, portanto, as possibilidades da vida, limitadas pelas circunstâncias, pelo estágio de evolução de cada homem e de cada mulher, que devem, desde adolescentes, programar o roteiro da evolução e seguir com segurança, etapa a etapa, até o momento de sua auto-realizarão.

Fonte: Franco, Divaldo P., pelo espírito Joana de Angelis. Adolescência e Vida. Disponível em  http://www.luzespirita.org.br/leitura/pdf/L102.pdf

sábado, 13 de abril de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 14 / 04 / 201


A CRIANÇA DIANTE DA MORTE

Nenhum tema pode ser tão atual e universal quanto o temor do homem para com a morte, por ele nos revelar o nosso despreparo quanto ao nosso auto-conhecimento, processo que inevitavelmente faria emergir outros tantos medos que afligem o homem, como o da dor e da solidão. Compreender e aceitar a nossa finitude física e a imortalidade da alma deveria tornar-se um assunto em pauta não somente na educação formal e espiritual de adultos, mas fundamentalmente na formação infantil.
A questão da origem da vida e da morte sempre esteve presente não somente na mente adulta, mas também na infantil e deixá-la desamparada e despreparada, tornaria mais difícil a sua caminhada frente às necessárias e naturais “mortes” e “renascimentos” que ocorrerão ao longo de sua existência (a perda da infância, a perda de um amor, do vestibular, do emprego, de um ente querido, etc.). Toda perda é a “morte” psicológica ou real de algo ou alguém e, ao passarmos por ela sejamos nós, adultos, ou as crianças, sofremos as mesmas fases reativas (também chamadas de fases do “luto”), tais como: a negação ou a indignação diante da iminente ou comprovada perda; os acessos de raiva ou inconformação; o desespero na busca de saídas/desculpas mágicas ou tentativas de reversão do quadro; a depressão, o sentimento de culpa e fracasso e, finalmente, a parcial ou plena aceitação, também chamada “transcendência”. Preparar-se para reconhecer essas fases, seus significados e finalmente, transcendê-las, em muito ajudarão ao processamento do luto de forma gradual e menos dolorosa.
Pensar e falar de morte nunca foi um tema mórbido, e o é somente para aqueles que ainda não absorveram o seu real sentido e não crêem na pluralidade das existências. Esse despreparo ou resistência só vem a tornar mais doloroso o período que o sucede, o qual já citamos e chamamos de “luto”, dificultando o seu desenvolvimento sadio e as lições espirituais que dele poderíamos absorver. Sabiamente tem-se dito que quem não teme a morte não teme as dificuldades da vida, sendo o inverso igualmente verdadeiro. Ao aprendermos a nos preparar com serenidade para a morte ou para as possíveis perdas, sejam estas as nossas, as de quem amamos ou a que estamos apegados, aprenderemos a valorizar a vida, redimensionando nossa visão das coisas, pessoas e fatos à nossa volta, dando o real valor que devem possuir em nossas vidas. Com certeza viveremos e amaremos melhor.
Privar as crianças dessas verdades seria o mesmo que mentir para elas, revelando nossas fraquezas e medos. Desde cedo, de forma adequada ao seu nível de compreensão, ela deverá reconhecer a inevitabilidade da morte e suas conseqüências, e que ela não se trata de uma terrível ameaça, mas de um fenômeno de mutação natural à nossa evolução. Ocultar a verdade ou mentir à criança, além de adiar e acrescer sofrimentos futuros, subestimam sua capacidade de percepção do mundo, fazendo-a sentir-se enganada ou considerada ingênua, causando-lhe um profundo sentimento de solidão e insegurança com relação aos que a cercam.
Todo ser humano, ao deparar-se com a dor da perda e da separação, não se permitindo “processá-la” de forma equilibrada, pode vir a transmutá-la em enfermidades físicas, mentais e espirituais, e na criança não é diferente. O processo de “luto” saudavelmente finalizado permite ao ser que sofre a compreensão e internalização definitiva da perda, cedendo o espaço disponível para outras relações e aquisições necessárias.
Algumas pessoas argumentam que as crianças não possuem capacidade para apreender o real sentido da morte. Em parte têm razão, dado sua imaturidade psico-fisiológica, mas isso não lhes tira a capacidade de apreendê-lo de forma gradual e adequada à sua possibilidade perceptiva. Pesquisas realizadas por estudiosos na área demonstram que quanto maior número de informações possam obter, melhor apreendem o seu sentido. Até os cinco anos a criança ainda não percebe a morte como definitiva e irreversível, podendo esta se encontrar associada ao conceito de sono ou de separação. Essa noção de reversibilidade da morte pode explicar o comportamento defensivo de crianças suicidas, podendo haver uma ligação entre o suicídio infantil e o conceito imaturo e distorcido da morte. Entre os cinco e os nove anos, a morte já é percebida como irreversível, mas não universal. A partir dos nove anos a morte é encarada como cessação de atividades com características universais e irreversíveis (esses dados podem sofrer variação segundo a individualidade de cada criança).
Em contrapartida, é importante lembrar que falar a verdade a respeito da morte não significa uma exposição ostensiva à mesma. Os diálogos fraternos, sistemáticos e adequados à sua compreensão em certo possibilitarão o acesso a essas informações de forma menos traumática. Por exemplo, levar uma criança a funerais ou qualquer tipo de ritual fúnebre só deverá ocorrer com a sua expressão de aceitação e plena vontade, respeitando-se seus limites emocionais e psicológicos. O que não lhe deve ser retirado é o direito de conhecer a verdade e de expressar seus sentimentos e necessidades da forma que lhe for mais conveniente. Mentiras, fantasias desnecessárias ou uma sinceridade cruel em nada facilitarão a compreensão da nova realidade.
Outro fator a acrescentar seria a forma como expressamos a nossa dor, os nossos medos e valores diante das crianças. Quando mais intensos e desequilibrados estes forem, maior a probabilidade de a criança os introjetar e repetir ao longo de sua vida. O ideal seria se expressássemos nossa dor da forma mais genuína e equilibrada possível, pois precisamos também nos lembrar do bem-estar dos demais envolvidos: de nós mesmos e de quem partiu, que também sofre as influências da separação.
Em resumo, o conhecimento e a compreensão dos fenômenos que envolvem a morte e as verdades espirituais deverão desde cedo ser inseridos na educação das crianças para que elas estejam mais bem preparadas quando a vida as tornarem forçosamente necessários. Utilizar-se de palavras, atitudes e experiências (jogos, estórias, técnicas psico-pedagógicas, etc) equilibradas e sadias em muito contribuirão para uma visão mais assertiva não somente da morte, mas de todos os fenômenos que envolvam a dor da perda, da separação e da solidão. Longe de enfraquecê-la e amedrontá-la (a fraqueza e o medo estão em nós, pois vemos o que somos), torná-la-ia mais forte e apta para a vida. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

CURSO DE FORMAÇÃO PARA EVANGELIZADORES







4º SEMINÁRIO SOBRE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Participe você trabalhador ou frequentador dos encontros espiritas, importante oportunidade de aprendizado.

AVISO IMPORTANTE


Car@s participantes da Escola de Pais,

Queremos lhes informar que no próximo domingo (07/04/13), não teremos atividades na Escola de Pais/MEPE/Evangelização Infantil, em decorrência da participação, por parte da evangelizadoras, em um curso de aperfeiçoamento oferecido pela Coordenação de Infância e Juventude da FEEC. Outro ponto relevante quanto ao dia 07/04 é a realização do Seminário do Livro dos Espíritos, o qual iniciará na próxima sexta-feira, finalizando-se no domingo.

No dia 14/04 retomaremos as nossas atividades normais.

Reforçamos o convite feito pela Rosane, coordenadora da Evangelização Infantil na Piedade, para que os pais que têm interesse em ingressar nos trabalhos da Evangelização se inscrevam nesse curso da FEEC. Basta seguir as indicações descritas no cartaz. 
Ressaltamos também a importância da participação no Seminário do Livro dos Espíritos, benefício sempre solicitado por quem frequenta o GEPE Piedade e se mostra desejoso da realização de mais eventos desse tipo nesta sede do GEPE.

Abraços a todos e todas 
Dário Gomes
Coordenador da Escola de Pais - GEPE Piedade

terça-feira, 26 de março de 2013

FICA A DICA

Amigos e amigas que compõe a Escola de Pais,

Informamos que estamos oferecendo no domingo o serviço de Atendimento Fraterno no horário de funcionamento da Escola de Pais / MEPE e Evangelização Infantil. O nosso companheiro Marcos André, o qual participa do grupo 2, coordenado pelos facilitadores  Kátia e Flavio, está a frente dessa ação. O Atendimento Fraterno tem como finalidade a recepção, esclarecimento básico, amparo, reajuste e redirecionamento de ideias de irmãos que cheguem a Casa Espírita necessitados de auxílio para a solução ou alívio de problemas das mais variadas ordens. Podem se utilizar do Atendimento Fraterno nos domingos pela manhã tanto pessoas que participem da Escola de Pais/MEPE/Evangelização Infantil como irmãos que não estejam inseridos nessas atividades, até mesmo pessoas que não frequentem o nosso centro espírita. 

Desejamos que essa atividade venha enriquecer ainda mais os nossos encontros semanais

Abraços
Dário Gomes
Coordenador da Escola de Pais

quinta-feira, 21 de março de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO 24 03 2013


CRIANÇAS ESPECIAIS
Todas as crianças são especiais, porque cada uma é uma individualidade sagrada e rica. Mas aqui queremos nos referir particularmente às crianças que fogem, de um modo ou de outro, ao padrão médio de normalidade. As crianças com problemas de desenvolvimento, com sub ou superdotação intelectual, crianças com desajustes emocionais – todas elas merecem estudos de médicos, psicólogos e educadores em todo o mundo. Aliás, alguns dos métodos pedagógicos desenvolvidos nesse século para crianças normais partiram de métodos antes aplicados a crianças excepcionais – como o de Montessori e o de Decroly. Interessa-nos o aspecto espiritual da questão, até agora não desvendado.
A deficiência mental tem geralmente uma causa física bem identificável: pode, por exemplo, ser provocada por um problema genético (como no caso da síndrome de Down) ou uma lesão cerebral (ocorrida na hora do parto ou durante alguma convulsão). Pode , às vezes, também ser consequência passageira de algum distúrbio psíquico.
Em qualquer caso, entretanto, trata-se de uma incapacidade momentânea de manifestação do Espírito e não uma incapacidade intrínseca da alma encarnada. Kardec comprovou isto ao evocar Espíritos de crianças deficientes e que, fora do corpo, tinham grande lucidez espiritual. Isso também se observa diariamente pelo fato de que, em muitos casos de deficiência, os diagnósticos médicos são taxativos, descartando qualquer possibilidade de desenvolvimento. Mas, quando estimulada convenientemente e quando revela vontade forte, a criança ultrapassa de muito os prognósticos pessimistas. O que é isto, senão o Espírito inteligente que, apesar dos obstáculos para a sua manifestação, luta e consegue, pelo menos em parte, superar os limites do corpo?
O nascimento de crianças excepcionais é um desses fatos que só se pode explicar inteiramente pela lei da reencarnação. As deficiências mentais (e evidentemente as físicas também) são sempre resultados de processos cármicos, cujas origens desconhecemos. Mas podemos indicar suas características principais.
Espíritos que abusaram demasiado da inteligência, empregando-a em prejuízo de si próprios e do próximo podem ter encarnações expiatórias, em que se sintam tolhidos para usá-la em sua integridade. Geralmente, são Espíritos que desenvolveram pouco o sentimento. Enquanto, pois, não podem manifestar a plenitude de suas faculdades intelectuais na carne, são obrigados a arranjar outras formas de comunicação com o ambiente e por isso, muitas vezes, mostram-se extremamente afetivos. A inteligência descansa, mas o Espírito progride, aprendendo a sentir. Isso se observa com muita clareza nas crianças de síndrome de Down – afetuosíssimas, em sua maioria.
Espíritos comprometidos em séculos de crimes e malbaratamento das Leis da vida, atingem tal estado de desequilíbrio espiritual, que só a reencarnação lhes pode aliviar a consciência. É que a carne age como uma espécie de mataborrão. Ao seu contato, o Espírito amortece as dores agudas da consciência e pode resgatar dívidas, reequilibrando-se para o futuro. Mas, quando ainda no plano espiritual, se vê abismado em profunda loucura, não pode, ao reencarnar, moldar um corpo normal e, assim, imprime na sua formação genética as lesões gravíssimas, que vão resultar em corpos defeituosos e incapacitados.
Nesses casos, não se pode esperar um desenvolvimento pleno da personalidade atual, mas não devemos esquecer que essa expiação estará servindo para a melhoria da personalidade espiritual. E essa personalidade espiritual sempre pode ser atingida, se não pela comunicação verbal, certamente pela linguagem do amor.
A superdotação é outro tema complexo, que é preciso analisar com critério. Em primeiro lugar, deve-se tomar cuidado na identificação de um superdotado, pois há muita superdotação artificial. Qualquer criança, submetida a uma estimulação intensa, pode se revelar precoce. Aliás, uma estimulação exagerada e unilateral pode causar distúrbios psíquicos e, como ela é sempre feita por motivo de vaidade ou de interesse econômico dos adultos, acaba por deformar a personalidade da criança.
Assim são os casos de músicos ou esportistas, por exemplo, que desde a mais tenra idade sofrem um treinamento massacrante, tornando-se exímios em certa atividade. Podem conquistar fama e dinheiro fácil, mas são sempre pessoas profundamente desajustadas e infelizes, porque não se desenvolveram de maneira natural e integral.
Quando legítima, ou seja, espontânea e não provocada, a superdotação pode se revelar por um talento específico ou por uma inteligência geral acima da média. Pode-se observar uma criança superdotada, entre outros traços, pelo sue pensamento criativo, pela intensidade e profundidade com que se envolve em assuntos de seu interesse, pela superioridade geral de seu raciocínio em comparação com as crianças de sua idade e, ainda, pela extrema facilidade em alguma área do conhecimento.
Faça-se porém importante parêntese: uma determinada superdotação intelectual não implica necessariamente em evolução moral do Espírito encarnado. Há muitos homens e mulheres que desenvolvem predominantemente a inteligência, em detrimento das qualidade morais. Ao renascerem, podem revelar esse desenvolvimento anterior desde cedo, mas nem por isso possuem elevação moral. Aliás, muitas vezes até, são Espíritos comprometidos com sérios desvios das Leis Divinas.
Poderíamos também falar de uma espécie de superdotação moral, coisa nunca mencionada: são as crianças que revelam desde cedo uma superioridade moral em relação ao meio – estas sim podem ser consideradas como reencarnação de Espíritos avançados.
O desajuste emocional pode se manifestar em forma de inquietação, agressividade, choro excessivo, medo, pesadelos, insônia e até prejudicar o desenvolvimento físico e cognitivo. As causas do problema podem ser as mais variadas. É preciso distingui-las.
Pela sua extrema maleabilidade psíquica, a criança absorve facilmente os reflexos vibratórios e emocionais do ambiente. Diante de um comportamento anormal de sua parte, deve-se antes de mais nada procurar as causas na atmosfera psíquica que a cerca. Mesmo que os adultos não demonstrem agressividade, desespero, angústia e outros sentimentos negativos e os trancafiem dentro de sim nem por isso as crianças, desde o berço, deixam de senti-los, de captá-los e de manifestá-los, se eles existirem no íntimo das pessoas que as acompanham.
Não só o estado emocional explícito ou embutido dos adultos, mas igualmente atitudes e orientação educacional inadequadas em relação á própria criança produzem desajustes emocionais profundos: por exemplo, tapas, gritos, repreensões severas ou indiferença, rejeição e abandono... Esses fatores foram largamente estudados por várias correntes psicopedagógicas. Aqui nem nos referimos às aberrações, infelizmente não tão raras, como o abuso sexual e pancadaria – que obviamente chegam a abalar a personalidade da criança por toda a vida e talvez até além.
Outras condições, muito comuns em nossa sociedade atual, também podem ser causa de anormalidades emotivas numa criança: o impedimento de dar livre curso à sua criatividade, à sua energia física e psíquica, o viver sempre em ambientes fechados, onde não possa mexer em nada, levando uma vida muito contrária à sua natureza expansiva e criadora; excesso de atividades passivas, como as desenvolvidas nas escola atual, muitas horas de televisão por dia, contato com literatura e cinema de conteúdo violento ou pornográfico, ou mesmo experiências vividas nestes setores etc.
Mas existem também causas espirituais. As crianças podem revelar desde cedo desequilíbrios emocionais, trazidos do passado, ou podem ainda sentir influências negativas de Espíritos obsessores, ligados a ela e à família. Entretanto, só se pode identificar com toda a certeza se um desequilíbrio emotivo provém dela própria ou de Espíritos perturbadores, quando as causas ambientais estiverem eliminadas. Ou seja, em uma criança que vive num ambiente saudável, alegre, tranquilo, onde sejam cultivadas a prece, conversas elevadas, limpeza material e moral e ainda assim persistirem os desajustes, então eles serão de fato originários dela própria. Mas todo esse ambiente positivo é o primeiro requisito de qualquer terapia. 

Fonte: INCONTRI, Dora. A Educação Segundo o Espiritismo. Bragança Paulista: Editora Comenius, 2006.


sexta-feira, 15 de março de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 17 03 2013


ALMAS-PROBLEMAS

Todos nascem ou renascem nos núcleos familiares e sociais de que necessitam para aprimorar-se. Nem sempre o planejamento da reencarnação leva em conta a afetividade existente entre os reencarnantes e sim a necessidade de serem limadas as arestas, corrigidas as imperfeições morais e desenvolvidos os processos de resgates.
Joana de Angelis, através da mediunidade de Divaldo Franco, nos alerta:
“A pessoa-problema que renteia contigo, no processo evolutivo, não te é desconhecida..”
O filhinho-dificuldade que te exige doação integral, não se encontra ao teu lado pela primeira vez.
O ancião-renitente que te parece um pesadelo contínuo exaurindo-te as forças, não é encontro fortuito na tua marcha...
O familiar de qualquer vinculação que te constitui provação, não é resultado do acaso que te leva a desfrutar da convivência dolorosa.
Todos eles provêm do teu passado espiritual. Eles caíram, sim, e ainda se ressentem do tombo moral, estando, hoje, a resgatar injunção penosa. Mas, tu também.
Quando alguém cai, sempre há fatores preponderantes e outros predisponentes, que induzem e levam ao abismo.
Normalmente, oculto, o causador do infortúnio permanece desconhecido do mundo. Não, porém, da consciência, nem das Soberanas Leis.
Renascem em circunstâncias e tempos diferentes, todavia, volvem a encontrar-se, seja na consanguinidade, através da parentela corporal, ou mediante a espiritual, na grande família humana, tornando o caminho das reparações e compensações indispensáveis.
Não te rebeles contra o impositivo da dor, seja como se te apresente.
Aqui, é o companheiro que se transforma em áspero adversário; ali, é o filhinho rebelde, ora portador de enfermidade desgastante; mais adiante, é alguém dominado pela loucura, e que chega à economia da tua vida depauperando os teus cofres de recursos múltiplos.
Surgem momentos em que desejas que eles partam da Terra, a fim de que repouses.
Horas soam em que um sentimento de surda animosidade contra eles te cicia o anelo de ver-te libertado...
Ledo engano!
Só há liberdade real quando se resgata o débito distância física não constitui impedimento psíquico.
Ausência material não expressa impossibilidade de intercâmbio.
O Espírito é a vida e, enquanto o amor não lene as dores e lima as arestas das dificuldades, o problema prossegue inalterado. Arrima-te ao amor e sofre com paciência. Suporta a alma-problema que se junge a ti e não depereças nos ideais de amparar e prosseguir. Ama, socorrendo.
Dia nascerá, luminoso, em que, superadas as sombras que impedem a clara visão da vida, compreenderás a grandeza do teu gesto e a felicidade da tua afeição a todos.
O problema toma a dimensão que lhe proporcionas.
Mas o amor, que “cobre a multidão dos pecados” voltado para o bem, resolve todos os problemas e dificuldades fazendo que vibre, duradoura, a paz por que te afadigas.
Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, no livro Encontro Marcado, nos esclarece sobre as divergências entre pais e filhos:
“Nem sempre surgem como sendo personalidades adequadas aos nossos desejos aqueles que a vida nos oferece por pais na estância física.”
Seriam eles maus ou diferentes, porque não nos entendem, de pronto, os ideais? Numa interrogativa dessa natureza, toda vez que estivermos na posição de filhos, é possível devamos formular semelhante questão ao inverso.
Habitualmente, julgamos nossos pais humanos quando a razão começa a amadurecer no galho florido de nossos primeiros sonhos da mocidade. Sobretudo, pretendemos medir-lhes as supostas deficiências, depois de passados mais de vinte ou trinta anos sobre os dias semiconscientes de nossa infância. Se não concordam com as nossas opiniões, frequentemente apontamo-los por espíritos passadistas ou intolerantes. Nessa conceituação apressada, porém, esquecemo-nos de que eles receberam no caminha da experiência, quantas vezes por nossa causa, e, por isso mesmo, nem sempre lhes será possível colocar os ouvidos ao nível em que se nos situa a palavra.
Fácil considerá-los desorientados, quando não estejam de acordo com os preceitos que aceitamos como sendo os mais justos; entretanto, a distância enorme de tempo que existe entre a hora de nossa análise e a hora do berço não nos permite saber quantos problemas e quanto fel amargaram, até que adotassem padrões individuais de conduta, diversos daqueles consagrados para a vida na Terra.
Muito simples categorizá-los à conta de intransigentes, quando nos reprovam os pontos de vista; contudo, raramente estamos nas condições precisas para avaliar as crises que suportaram, a fim de que tentações e desequilíbrios não arrasassem o lar que nos serve de apoio e ninho.
Se te encontras à frente de pais magoados ou sofredores, recorda um homem generoso que largou as conveniências da própria liberdade, para colocar uma família nos ombros, e lembra-te de certa mulher, jovem e bela, que olvidou a si mesma e renunciou à própria vida, padecendo na carne e na lama, para que pudesses viver!... Considera que eles se reuniram, obedecendo aos desígnios de Deus, a fim de que viesses ao mundo, e se não puderam ser felizes como esperavam ou se as provações da existência os tornaram assim, quando estiveres a ponto de censurá-los, pensa na alegria e no amor com que eles dois rogaram a Deus te abençoasse, quando nasceste e, em silêncio, pede também a Deus que o abençoe.
Prossegue Emmanuel, alertando agora sobre os filhos diferentes:
“Provavelmente, conhecê-los-ás no mais íntimo da alma: os filhos diferentes. Conseguiste instruir os outros. Encaminhá-los para o bem com facilidade. Mas encontraste aquele que não se afina com os teus ideais. É um filho que não se erige à altura do padrão doméstico a que te elevaste, ou uma filha que desmente a esperança.”
É possível hajas verificado a desvantagem quando já existe enorme distância do ente querido à harmonia familiar. Percebeste-lhe as falhas com a surpresa do cultivador quando identifica uma planta de bela aparência que a praga carcome, ou com o desencanto de quem vê repentinamente comprometida a empresa levantada à custa dos sonhos e canseiras de muitos anos.
Quanto te observes perante um filho diferente, não te permitas inclinar o coração ao desespero ou à amargura. Ora e pede luz para o entendimento.
O Senhor te fará reconhecer-te à frente do companheiro ou da companheira de outras existências terrestres, que o tempo ocultou e que a Lei te oferece de nova à presença para que a tua obra de amor seja devidamente complementada.
Jamais ergas a voz para acursar o filho-problema, conquanto nem sempre lhe possa elogiar a conduta. Longe ou perto dele, segundo as circunstâncias do plano físico, ampara-o com a tua prece, estendendo-lhe apoio e inspiração pelas vias da alma. Embora no dever de corrigi-lo, ainda mesmo quando te não compreenda ou te evite o passo, abençoa-o tantas vezes quantas se fizerem precisas, ensinando-lhe outra vez o caminho da retidão e da obediência, selecionando para isso as melhores palavras que as lutas da vida te hajam gravado no sentimento.
Ninguém te pode penetrar a angústia e o enternecimento de pai ou mãe junto dos filhos que se fizerem enigmas; à vista disso é natural que muitas vezes o teu procedimento diante deles assuma aspecto de exceção. Auxilia-os sempre e, mesmo nos dias em que saraivada de críticas humanas te assedie a cabeça, aconchega-os mais brandamente ao regaço de teu espírito; sem que o verbo humano consiga expressar as sensações de teu amor ou de tua dor, ante um filho diferente, sabes, no imo da alma, que ele significa o mais alto encontro marcado entre a tua esperança e a bondade de Deus.

Fonte: CARNEIRO, T. M. F. e BARRETO, E. F. P. (organizadoras). Guia Útil dos Pais – Uma Abordagem Educacional Espírita. 2ª Edição, Fortaleza – CE: Edições GEPE – Grupo Espírita Paulo e Estevão, 2004.

quinta-feira, 7 de março de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 10 / 03 / 2013


CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES

4. De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.
Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!
Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!
Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!
Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.
Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.
Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.

Fonte: Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Feb, 1944. 

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 03 / 03 / 2013


O adolescente na busca da identidade e do idealismo

O desabrochar da adolescência, à semelhança do que ocorre com o botão de rosa que se abre ante a carícia do Sol, desvela‐lhe a intimidade que se encontra adormecida, e desperta, suavemente, aspirando a vida, exteriorizando aroma e oferecendo pólen para a fertilização e ressurgimento em novas e maravilhosas expressões.
A plenitude da vida, na fase da adolescência, estua e exterioriza‐se, deixando que todos os conteúdos arquivados no inconsciente do ser passem a revelar‐se, em forma de tendências, aptidões, anseios e tentativas de realização.
Nem sempre esse despertar é tranquilo, podendo, às vezes, ser uma irrupção vulcânica de energias retidas que estouram, produzindo danos.
Noutras ocasiões pode expressar‐se como sofrimento íntimo, caracterizado por fobias de aparência inexplicável, mas que procedem dos registros perispirituais, mergulhados no inconsciente, que repontam como conflitos, consciência de culpa, pudor exacerbado, misticismo, em mecanismos bem elaborados de fuga da realidade.
Reencarnando‐se, para reparar os erros e edificar o bem em si mesmo, o Espírito atinge a adolescência orgânica, vivenciando o transformar de energias e hormônios sutis quão poderosos, que o despertam para as manifestações do sexo, mas também para as aspirações idealistas, desenvolvendo a busca da própria identidade.
Carregando a soma das personalidades vividas em outras reencarnações, a sua identificação com o mundo atual demanda tempo e amadurecimento, mediante os quais pode aquilatar quem realmente é e o que legitimamente deseja.
Não tendo o discernimento ainda para eleger o que é melhor, quase sempre se entrega à busca do mais imediato, porque mais simples, procurando acomodar‐se às manifestações fisiológicas do comer, dormir, praticar sexo, vencer o tempo sem grande esforço. Trata‐se de um atavismo pernicioso, que deve ser melhor direcionado, a fim de que seja descoberta a finalidade da existência e como alcançar esse patamar que o aguarda.
Se o lar oferece segurança afetiva e compreensão, o adolescente tem facilidade para selecionar os valores e aceitar aqueles que lhe são mais favoráveis para o progresso. Todavia, se o grupo familiar é traumatizante, foge para comportamentos oportunistas, que parecem afugentar as mágoas e libertá‐lo do cárcere doméstico.
A influência dos pais é decisiva na elaboração e desenvolvimento do idealismo, na afirmação da própria identidade, sem que haja pressão ou autoritarismo dos genitores, antes oferecimento de meios para o diálogo esclarecedor, sem a sujeição aos conselhos castradores e impositivos, sempre de maus resultados.
Há uma tendência no jovem para fugir aos programas elaborados, às experiências vividas por outrem, ao aproveitamento da sabedoria dos mais antigos. Cada ser é uma realidade especial, que necessita vivenciar suas próprias aspirações, muitas vezes equivocando‐se para melhor compreender o caminho por onde deve seguir. Em razão disso, experiência e uma conquista pessoal, que cada qual aprende pelo próprio esforço, não raro, através de erros que são corrigidos e insucessos que se fazem ultrapassados pelo êxito.
Quando alguém deseja impor seu ponto de vista, transfere realização não lograda, para que o outro a consiga, assim alegrando aquele que se lhe torna mentor.
A educação propõe e o educando aprende mediante o exercício, a reflexão, o amadurecimento.
Os modelos devem ser silenciosos, falando mais pelos exemplos, pela alegria de viver, pelos valores comprovados, ao invés das palavras sonoras, mas cujas práticas demonstram o contrário.
Quando alguém convive com adolescente encontra‐se sob a alça de mira da sua acurada observação. Ele compara as atitudes com as palavras, o comportamento cotidiano com os conteúdos filosóficos, não acreditando senão naquilo que é demonstrado, jamais no que é proposto pelo verbo. Em razão disso, surgem os conflitos domésticos, nos quais os genitores se dizem incompreendidos e não seguidos, olvidando‐se que são os responsáveis, até certo ponto, pelo insucesso das suas proposições.
A identidade de cada um tem suas características pessoais, e essas não podem, nem devem ser clones, nos quais se perde a individualidade.
A busca da identidade no adolescente é demorada, qual ocorre com o indivíduo em si mesmo, prolongando‐se pelo período da razão, amadurecimento e velhice. Por isso mesmo, nem sempre a avançada idade biológica é sinônimo de sabedoria, de equilíbrio. Jovens há, maduros, enquanto idosos existem que permanecem aprisionados na criança caprichosa e renitente da infância não ultrapassada.
O idealismo brota do âmago do ser e deve ser cultivado pelos genitores, que estimularão as tendências positivas do filho, oferecendo‐lhe os recursos emocionais e afetivos para que ele possa materializar a aspiração do mundo íntimo. Quando se revelar a tendência para o idealismo perverso, o desequilíbrio firmado no egoísmo, no capricho, nos desregramentos morais, é necessário ensinar‐lhe a técnica de como canalizar as energias para o lado melhor da vida, propondo ideais práticos e mais imediatos, que sejam compensadores psicologicamente, de forma que a eleição se opere com naturalidade, por meio da substituição daqueles que são perturbadores por esses outros que são satisfatórios.
Ao invés das lutas contínuas, que se fazem imposições descabidas, enriquecidas de queixas e lamentações pelo investimento dirigido ao filho, a quem se informa não saber aproveitar tudo quanto recebe, é justo que todas as propostas sejam apresentadas de forma edificante, sem acusações nem rejeições, mas com espírito de tolerância e compreensão, até que o discernimento do adolescente aceite como fenômeno natural a contribuição, tendo em mente que a escolha foi própria e que isso é bom para ele, não porque outros assim o queiram, porém porque mais o conforta e o agrada.
A adolescência é ainda fase de amoldamento, de adaptação, ao mesmo tempo de transformações, que merece e exige paciência e habilidade psicológica.
De um lado, existe o interesse familiar, que trabalha para o melhor do educando, mas por outra parte se encontra o grupo social, nem sempre equilibrado, na Escola, no Clube, na rua, no trabalho, conspirando contra as atitudes saudáveis que se deseja oferecer e que naturalmente atraem o adolescente, porque ele gosta de ser igual aos demais, não chamar a atenção, ou quando, em conflito, quer destacar‐se, exibir‐se, exatamente porque vive inseguro, experimenta dramas, que mascara sob a desfaçatez, o cinismo aparente...
Com o tranquilizar do fluxo sexual, mediante a reflexão e o trabalho, através do estudo e das aspirações superiores que se devem ministrar com cuidado, ele passa a identificar‐se com o mundo, com as pessoas e por fim com ele mesmo. Essa autoidentificação é mais demorada, porque mais profunda, prolongando‐se por toda a existência bem orientada pelo dever e pelas aspirações enobrecidas.
O idealismo torna‐se‐lhe um alimento que deve ser ingerido com frequência, a fim de que não haja carência emocional e perda de identidade no tumulto das propostas sociais, econômicas e artísticas...
Invariavelmente o Espírito reencarna para dar prosseguimento a tarefas que ficaram interrompidas, e ressurgem nos painéis mentais como aspirações e tendências mais acentuadas. Outras vezes, no entanto, deve começar a experimentar atividades novas, mediante as quais progredirá no rumo da vida e de Deus.
Na fase da insegurança pela adolescência, toda a vigilância é necessária, de modo a auxiliar o jovem a encontrar‐se e a definir o seu ideal de vida, entregando‐se‐lhe confiante e rico de perseverança até conseguir a meta ambicionada.

Fonte: Franco, Divaldo P., pelo espírito Joana de Angelis. Adolescência e Vida. Disponível em  http://www.luzespirita.org.br/leitura/pdf/L102.pdf

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CURSO DE EXTENSÃO ESPÍRITA

Curso Extensão Espírita(Paralelos entre a Concepção Espírita, Astrobiológica e Ufológica sobre a Pluralidade dos Mundos Habitados)

Tema: Vida em Outros Planetas
Início: 16/03/2013 - Sábado
Duração: 4 sábados (16, 23, 30 março e 06 abril)
Hora: 10:00 às 11:40 h.
Local: GEPE Água Fria
Facilitadores: Sésio Santiago e Frederico Macêdo
Inscrições nas livrarias do GEPE.

Temas Abordados:
16/03 - Introdução ao Estudo do Cosmos
23/03 - A Astrobiologia e o Ideário da Pluralidade dos Mundos Habitados
30/03 - As Vertentes Ufológicas e o Fenômeno OVNI
06-04 - Existem Evidências Arqueológicas e Históricas Sobre a Visita de Seres Extraterrestres


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2013

Olá pessoal,

Segue abaixo o texto que será estudado no próximo domingo.

Tema: Educar-se para Educar.

Fonte: BARRRETO, E. F. P.; CARNEIRO, T. M. F. (organizadoras) Guia útil dos pais: Uma Abordagem Educacional Espírita. 2ª Edição – Fortaleza – CE: Edições GEPE – Grupo Espírita Paulo e Estevão, 2004.


Dário Gomes
Coordenado Escola de Pais

EDUCAR-SE PARA EDUCAR

Os pais também duvidam de si porque têm falhas e fracassos reais. Ser um pai ou uma mãe ideal deve ser o objetivo de todos, porém devemos admitir que somos seres humanos imperfeitos, com defeitos a eliminar e lacunas a preencher. Procurar ser pais “suficientemente bons” é na verdade um bom começo. Isso alivia a tensão de desejar corresponder a um ideal extremamente difícil, mas resulta em novas ansiedades. Até que ponto um pai tem que ser bom? Até que ponto pode ser mau sem deixar de ser “suficientemente bom”? Todo pai está consciente de defeitos em seu próprio caráter, e da existência de características pessoais que ele receia possam influenciar negativamente seu filho.
Esse medo é aumentado por tudo que atualmente se diz acerca da importância do laço pessoal entre pais e filhos. Procuramos aqui ressaltar como esse laço é de importância decisiva para o desenvolvimento da criança. Se, então, tanta coisa depende da qualidade do intercâmbio humano na família, os pais, conscientes das vezes que falharam exatamente nisso, começam a temer o possível prejuízo que podem causar aos filhos.
Todos os pais têm sua carga secreta de culpa a respeito dos filhos. Algumas se referem a coisas passageiras; outras são mais graves, por serem mais sérias ou permanentes.
Os pais sabem, também, que seu melhor lado, aquele que deseja o melhor para seus filhos, nem sempre é o que prevalece. Sabem que, às vezes, são desagradáveis para com seus filhos, estragam seus esforços ou ofendem sua jovem dignidade. Entretanto, quando essas faltas são passageiras, você não as comete frequentemente, e sente que pode abrandar a mágoa causada a seu filho e modificar a situação, sua culpa, embora aguda na ocasião, habitualmente não dura muito.
A questão é que todo pai sente-se culpado em relação aos filhos. E daí? Deve-se concluir que é um mau pai?
Certamente, os pais tendem a chegar a essa conclusão. Em seus maus momentos, quando o sentimento de culpa e inadequação prevalecem, esquecem todos os cuidados e dedicação que proporcionaram aos filhos. Os fracassos parecem grandes demais, e receiam que não haja neles nada de bom. Então, acham que são maus pais. Nessa disposição, qualquer fracasso lhes parece um fracasso total. Os defeitos, na maioria das vezes, são contrabalanceados pelas qualidades. Você pode ser impaciente, mas também capaz de muito carinho. Algumas vezes foi displicente ou sem compreensão, mas muitas outras vezes foi atencioso e receptivo. Se temos de admitir que não somos seres simples, cheios apenas de amor por nossos filhos, também devemos lembrar que não procuramos somente magoar e ferir. Educamos nossos filhos e os capacitamos a progredir.
Joamar Zanolini Nazareth, em seu livro Um Desafio Chamado Família, esclarece que essa questão à luz da Doutrina Espírita:
“O Espiritismo é uma doutrina que nos coloca no dever de sempre caminhar. Não nos pede santidade para abraçar a tarefa educativa. Podemos apenas caminhar e, a cada passo dado no rumo do progresso, surge o convite ao trabalho dentro do que já conquistamos, abrindo oportunidades de adquirir as virtudes que ainda não trazemos na alma. O erro não está em ter imperfeições, mas em algemar-se à preguiça e não buscar melhorar-se. A necessidade fundamental do educador passa a ser a própria iluminação.
Vejamos o alerta de Emmanuel: “na sagrada missão de ensinar, instruem o intelecto, mas, de um modo geral, ainda não sabem iluminar o coração dos discípulos, por necessitados do própria iluminação”.
Não é preciso ser catedrático ou um “espírito perfeito” para a tarefa educativa; pede-se, no entanto, o intensivo esforço da reforma íntima, com maior autodomínio, disciplina dos sentimentos egoísticos e inferiores, extermínio das paixões e a gradativa aquisição de conhecimentos elevados.
Então, devemos ter sempre conosco a legenda “Educar-se para educar”, a fim de não esquecermos nossa necessidade de progresso. E, a cada avanço na jornada evolutiva, melhorarmos nossa condição de educadores.
Através do próprio burilamento, estaremos melhorando nossa condição de pais/professores, para desempenhar mais decisivamente as obrigações. E honrar o galardão da educação é preparar a construção de um mundo melhor, pois somente com o amparo e socorro moral às gerações futuras é que estaremos efetivamente acendendo a lâmpada da renovação da humanidade, extinguindo as trevas da ignorância, da falta de fé e da pobreza de valores morais no mundo.”
                     

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

REUNIÃO ESCOLA DE PAIS DIA 17 / 02

Olá pessoal,

Estaremos nos reencontrando no próximo domingo, no intuito de continuarmos com os nossos trabalhos na senda do nosso mestre Jesus. Conforme vocês já devem ter verificado, no próximo domingo teremos uma atividade de integração nos sub-grupos. Boa parte dos nossos participantes estarão retornando à Escola de Pais nesse domingo, sendo importante que possamos realizar um acolhimento fraterno, reflexivo e esclarecedor.

Por conta disso não teremos estudo de temas específicos, mas sim a realização de dois momentos, quais sejam:
- uma dinâmica de integração nos sub-grupos.
- uma apresentação da grade parcial do ano de 2013. 

Caso surjam novas indicações de temáticas, haja vista que haverão pessoas que não estiveram presentes na semana passada, peço que tomem nota.

Segue em anexo um documento com uma proposta de dinâmica de integração a ser realizada nos sub-grupos. Contudo, não precisa obrigatoriamente que seja essa dinâmica, pois vocês têm a liberdade de levar outros tipos de dinâmica.

Abraço
Dário Gomes
Coordenador da Escola de Pais
GEPE Piedade

Ps: As propostas colocadas no último encontro, de estabelecermos um acolhimento fraterno, dentre outras questões, já estão sendo analisadas junto à coordenação geral. 
A abertura no próximo domingo deve ser feita pelo grupo 4.

O calendário e as atividades estão disponíveis para download e só clickar nos link's, abaixo; 
Dinâmica 17 02
Calendário 2013 - Escola de Pais - primeiro semestre  


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O INDIVIDUO É SEMPRE O RESULTADO DOS PENSAMENTOS



" A carne é um veiculo da nossa sublimação.
Brincar, divertir-se, procurar mesmo viver, realizar cursos, festas.
Fazer parte do nosso dia-a-dia.
Não é proibido ser feliz, muito menos ser alegre.
Deveremos trabalhar profundamente em favor do nosso carnaval, mas sem os abusos, que são da criatura humana e não da festa em si mesma.
Desejamos que todos aproveitem esses dias, divirtam-se, repousem, medite e sejam felizes"


Divaldo Franco