sábado, 19 de abril de 2014

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 20 DE ABRIL DE 2014

O RECONHECIMENTO DO AMAR AO PRÓXIMO NA ADOLESCÊNCIA


O  despertar  do  sentimento  do  amor  na  adolescência  é  sempre  enriquecedor. Uma  poesia  nova  toma  conta  da  existência  e  todas  as  coisas  se  tornam  coloridas, oferecendo  impressões  dantes  não  percebidas,  que  se  transformam  em  fonte  de inspiração  para  as  definições  de  atitudes  e  prosseguimento  daquelas  que  já  se incorporaram ao seu perfil humano e à sua identidade em relação à vida.
 A  aceitação  pelo  grupo  social  emula‐o  a  permanecer  desenvolvendo  as  suas tendências, que são elegidas conforme a capacidade mesma de amar ao próximo e sentir quanto poderá contribuir em favor  de melhores dias e mais dignas realizações que lhe estejam ao alcance.
Nesse  momento,  há  o  descobrimento  da  necessidade  do  interrelacionamento pessoal,  escolhendo  melhor  os  indivíduos  com  os  quais  deve  conviver  e  crescer, permitindo‐se  envolver  por  aqueles  que  provocam  maior  empatia  e  se  lhe  tornam modelares pela riqueza de valores morais e culturais de que se fazem portadores.
O  sexo  experimenta  mais  saudável  orientação,  deixando  de  ser  direcionado pelos impulsos do instinto, para ser emulado pelo sentimento da afetividade.
O próximo já não se lhe apresenta como estranho, o ser distante, mas a pessoa mais  perto  dele,  seja  pelo  sentimento  de  fraternidade,  seja  pelo  companheirismo, tornando‐se  membro  do  seu  clã,  cuja  presença  e  afetividade  o  compensam emocionalmente.
Sob  a  motivação  do  amor,  os  seus  planos  em  relação  ao  futuro  ganham significado e o tecido social não mais se lhe mostra esgarçado conforme ocorria antes. Afinal,  a  vida  física  tem  como  finalidade  precípua  contribuir  em  favor  da  sociedade modificada para melhor, quando as criaturas adquirem motivações para prosseguirem no desempenho das suas atividades, libertando‐se dos conflitos externos e das pressões que geram desequilíbrios, levando as massas de roldão ao desespero.
As  experiências  desenvolvidas  na  infância,  no  que  diz  respeito  à  cooperação, resultado  das  brincadeiras  que  ampliaram  a  capacidade  de  trocar  brinquedos  e alimentos,  transformam‐se  em  sentimentos  de  amor,  que  crescem  em  altruísmo  e solidariedade. Esse partilhar, esse expressar solidariedade, exige a contribuição valiosa e inestimável do sacrifício pessoal, sem correr  o risco da competitividade,  do conflito, já que  proporciona  a  compensação  de  descobrir‐se  útil,  portanto,  participante  do progresso que se torna inevitável.
A  autoestima  acentua‐se,  no  adolescente,  que  descobre  ser  aceito  pelo  seu grupo  social,  particularmente  pelos  valores  íntimos  de  que  se  faz  portador,  pela capacidade  de  cooperar,  de  eliminar  dificuldades  e  impulsionar  para  a  frente  todos aqueles  que  se  lhe  acercam.  Essa  valorização  do  si  exterioriza‐se  como  forma  de autoconhecimento, que expande o amor, favorecendo a lídima fraternidade.
Naturalmente surgem momentos difíceis, caracterizados por decisões que não são ideais, mas a experiência do erro demonstra que aquela é a forma menos eficaz para a colheita de resultados felizes, o que ajuda no amadurecimento das realizações.
Sem  receio  de  novas  tentativas,  permite‐se  ampliar  o  círculo  de relacionamentos  e  contribuir  de  alguma  forma  em  favor  das  demais  pessoas.  Esse tentame  sócio‐afetivo  começa  no  lar,  onde  o  adolescente  redescobre  a  família, reaproxima‐se  dos  pais,  entendendo‐lhes a  linguagem  e os interesses  que  mantiveram em  oferecer  o  melhor,  nem  sempre  pelos  caminhos  mais  certos.  Aparece  um  valioso sentimento de afetividade e de tolerância para os erros da educação, eliminando mágoas e  reservas  emocionais  que  eram  mantidas,  ao  mesmo  tempo  transformando‐se  em motivo de contentamento geral.
Da reintegração no conjunto da família se alarga em novas motivações com os colegas  e  amigos,  na  escola,  no  trabalho,  no  clube  de  esportes  e  área  de  folguedos, porque os seus são sentimentos do amor que plenifica.
É  característica  desse  período  não  exigir  ser  amado,  mas  compensar‐se enquanto ama, efetuando uma autorrealização emocional. A sua filosofia de vida o induz ao espírito de solidariedade mais ampla, cabendo a doação de coisas e até mesmo uma certa forma de autodoação. Os grandes ideais da humanidade encontraram nos jovens o seu  campo  de  desenvolvimento  e  de  liderança,  quando  inspirados  por  homens  e mulheres de pensamento e de ação, mas que não podiam conduzir as propostas como se faziam necessárias. Nos jovens, esses ideais floresceram e deram frutos sazonados que passaram  para  a  posteridade  como  fenômenos  transformadores  e  relevantes,  que abriram as portas para o progresso e para o surgimento de novas condutas.
Mais recentemente, a revolução hyppie, como reação às calamitosas guerras e à hipocrisia vitoriana,  proporcionaram à sociedade uma visão mais correta da realidade, das  necessidades  juvenis,  dos  seus  direitos,  das  suas  imensas  possibilidades  de realização  e  de  crescimento.  É  certo  que  houve  excessos,  alguns  dos  quais  ainda  não foram  corrigidos.  Mas  é  natural  que  isso  aconteça,  porquanto  toda  grande transformação social gera conflitos e danos nos momentos das mudanças, por causa do exagero  dos  imprevidentes  e  precipitados.  O  tempo  no  entanto  se  encarrega  de proporcionar soluções compatíveis, que ensejam novos desafios e novas conquistas.
A  conquista  do  amor,  pelo  adolescente,  nele  desenvolve  o  comportamento altruístico, no qual se destacam a empatia, o sentimento de compartilhar a preocupação e o problema do seu próximo, sem que isso propicie conflito. Ao mesmo tempo, desde o período  infantil,  o  surgimento  do  autocontrole  torna‐se  indispensável  para  o  êxito  do amor, a fim de que os excessos na solidariedade não se tornem comprometedores.
É necessário saber preservar‐se, de forma que possa continuar com os valores aceitos sem o desgaste das decepções e choques que ocorrem no inter‐relacionamento pessoal,  particularmente  na  área  da  afetividade.  A  autoestima  sabe  selecionar  o  que fazer, como fazer e quando realizá‐lo, de forma que o adolescente possa continuar com o entusiasmo que experimenta, quando ama, sem o exagero da paixão sem orientação, ou a frieza da indiferença que resultaria na morte do amor.
A  autoconscientização  que  se  vem  desenvolvendo  desde  a  infância,  nesse comenos,  torna‐se  mais  importante,  propondo  a  valorização  dos  atributos  morais, espirituais  e  culturais  que  devem  ser  preservados,  enquanto  os  outros  que  transitam passam  a receber  a  consideração  normal,  sem  o  apego  que  escraviza  nem  o  desprezo que desnorteia.
É evidente  que  esse processo  continuará  por  toda a  vida,  já  que as etapas da consciência  se  desdobram  paulatinamente  em  sentido  ascensional  e  de  profundidade, que o milagre do amor e do conhecimento consegue estimular para prosseguir.
O  grande  desafio  do  amor  na  vida,  quando  solucionado,  proporciona  ao adolescente  a  paz  de  que  se  deixa  penetrar,  bem  como  a  autorrealização  que  passa  a fazer parte do seu programa de crescimento e de felicidade.

Fonte: Franco, Divaldo P., pelo espírito Joana de Angelis. Adolescência e Vida. Disponível em  http://www.luzespirita.org.br/leitura/pdf/L102.pdf.

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