sexta-feira, 17 de maio de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 19 DE MAIO DE 2013


A FALA DOS PAIS

Se a mãe soubesse a força de que dispõe pela palavra diante dos seus filhos, procuraria falar com mais cuidado. A tua conversa, mãe, é tinta divina, e tua mente educada, a caneta pela qual podes escrever no destino do teu filho.
A disciplina da mãe, no tocante ao falar, é de suma importância, porquanto os filhos nunca esquecerão a fala materna, principalmente quando ela se envolve no magnetismo do amor e vive o que conversa com seus filhos, de bom, de agradável, de direito, de direito e de justiça. É certo que a verdadeira educação começa no lar.
A mãe, nos primeiros anos do bebê, é um sol para aquecê-lo, é uma mão divina para guiá-lo no caminho da vida. A soberania espiritual da alma flui por excelência, através do que ela fala. Analisando a conversa alheia sem intenção de julgá-la, saberás a que escala pertence o espírito que escutas, qual o seu nível de conduta, e por aí poderás observar a ti mesmo, dando imediatamente um toque de reparo naquilo que precisar. E, quando os filhos estiverem crescidos, a voz materna, acostumada no palavreado do bem e da verdade, cresce em seus conceitos e eles a deixam cair em seus corações como semente de energismo salutar. Em certas horas graves, a palavra de mãe não será retrucada, e sim ouvida com maior respeito. Eis o que nos fala Jó: “Havendo eu falado, não replicaram, as minhas palavras caíram sobre eles como o orvalho” (Jó, 29:22)
A voz materna pode ganhar ou perder a autoridade moral perante os filhos; dependendo do modo de vida que escolhe. O exemplo é força dominante na vida daqueles que convivem contigo, e, sabes, mãe, antes de o teu filho nascer, há tempos ele já convive contigo, e é nesse período que deves iniciar com maior segurança o que vais falar, pois ele está te ouvindo e sentindo o que sentes. Tu e ele, pode se dizer, compõem um só. Esquece os aborrecimentos, dispersa a melancolia e faze de conta que desconheces o ódio; começa a transformar-te em um mundo de alegria e de esperança, que estarás cooperando para a paz daquele que se aproxima do teu lar, e vai ser teu filho do coração.
A mulher tem uma grande missão junto à família, na arte de falar a ela, dado o maior tempo de conversações, e nisto está muita responsabilidade no que diz aos outros. Compete a cada uma reverência especial na educação, e essa educação diante das suas companheiras é mais difícil de se fazer. Onde ficamos à vontade esquecemos a corrigenda, e deixamos para depois a disciplina. Mãe, falando no teu lar, estás preparando outras mães e pais para outros lares, que sucessivamente herdam o que falas! O que dizes disto? Qual o caminho que vais escolher, ouvindo esta verdade?
Vamos trabalhar para um futuro de paz, senão um ambiente de luz, mas o teu início de renovação da humanidade nunca está longe de ti; começa em teu ser, com raízes em teu lar, e propaga-se em ondas poderosas no estalar da tua língua.
Não menos importante do que a fala da mãe, a fala do pai também é energia divina, pois quando o verbo é portador de amor, acorda em quem ouve variadas gamas de bons sentimentos, indispensáveis à educação de nossos filhos.
A estirpe da conversa se esconde nas profundezas dos sentimentos, como a sintonia gera ideias no mesmo tom, materializando palavras de natureza idêntica. Pensamentos e sentimentos produzem uma corrente contínua de vibrações: um fornece a força, o outro plasma o entendimento e a palavra anuncia, no exterior, o que se passa por dentro de quem pensa e sente.
Lembrando o título da mensagem, vamos buscar, com todo o carinho e respeito, o dever maior do pai de família, junto aos seus, àqueles que o cercam. O homem que já pensou na conjuntura do seu lar, na harmonia de sua família e na paz dos seus filhos, obviamente já lançou mão dos seus deveres, no que se refere à educação da palavra. Se tu és pai, procura descobrir o quanto vale a tua palavra dentro de casa; ela é ouvida com mais interesse do que pensas. Por vezes, sai da tua boca sem a menor importância a que lhe dás, no entanto, os teus filhos e companheira acreditam em ti e seguem as tuas instruções, pelo poder do teu verbo.
Confere as tuas ideias, antes de a palavra expor o que intentares falar. A tua conversa é, de certo modo, alimento, em dimensão diferente, para os espíritos que habitam contigo. Há muito para dizer a eles, no sentido construtivo, senão benéfico, em variadas ordens de comunhão com a verdade e o amor. As crianças de um lar sempre esperam por todo o dia a chegada do pai, para que se lhes transmita uma história. Alegra o ambiente com tuas palavras, através do modo pelo qual o carinho sugestiona essa ânsia de prazer das almas que se propuseram a andar juntas e, por enquanto, vieram como teus filhos. Amanhã, os papéis podem estar invertidos. Lança mão dessa oportunidade. Não te desvies do caminho de casa, para lugares sonde o bom senso não te inspira, nos quais o palavreado é sempre inferior. Não sujes a tua boca com conversas que o pudor não aprova porque elas são carregadas de magnetismo inferior, de sorte a turvar todo o teu campo mental, a empanar os teus sentimentos elevados e a criar uma tensão espiritual de baixo teor. E depois, quando chegares em teu lar, o que poderás fazer para os teus? Vais sentir-te cansado pela mudança de assuntos, vais sentir-te humilhado pela tua própria consciência e vais calar, por não existirem argumentos compatíveis com o teu ambiente familiar, deixando, assim, de cumprir o teu dever diante daqueles que te esperavam na candidez que os anos lhes dão.
Quem não sente prazer em falar com crianças? Com elas, aprendemos muito na arte em que os anjos são sábios. Quantos anjos tens em casa? Um, dois, três ou mais? Que felicidade! O que procuras fora está dentro da tua casa; é o céu, é Deus te chamando para um convívio de alegria e de paz. Fala com teus filhos, fala com tua companheira, mas fala com grandeza de coração e inteligência disciplinada. Move a tua língua em todas as direções, escolhendo sons que mais agradem aos ouvidos dos que te ouvem, e nunca esqueças perante os teus filhos, de um sorriso de otimismo e de uma feição de carinho; eis o material que a vida usa para alimentar e garantir vidas em formação. Não existe família unida sem palavras bem formadas. Poderemos interpretar Marcos, no capítulo dois, versículo onze: “Todo pai ou familiar que se encontre doente dos pensamentos e palavras, deve procurar com urgência o Cristo, para ser curado.”
E vamos ouvir, depois de curados, para onde Jesus vai mandar o ex-enfermo: “Eu te mando: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.” (Marcos, 2:11)

terça-feira, 7 de maio de 2013


Ser Mãe!!!
Ser mãe é uma confusão. Uma mistura tão intensa de sensações e sentimentos que dificilmente quem não é entende.
Ser mãe é uma caixinha de surpresas. Toda mulher está preparada, mas não sabe. Quando chega a hora está lá, como item de fábrica.
Ser mãe é ver a barriga crescer fazendo planos. E esses são os únicos 9 meses (no meu caso 7) em que você vai ter tempo para isso.
Porque ser mãe é viver um dia de cada vez, uma fralda de cada vez, uma mamada, uma soneca, manha, beicinho. Tudo de cada vez.
Ser mãe é saber que é hora de quê sem olhar no relógio. É não ver o dia passar. É saber que o mês passou só quando perguntam quanto tempo o seu filho tem.
Ser mãe é se encher de orgulho quando falam “Nossa! Que grandão!”.
Ser mãe é ser assim. Forte sem ter noção da força.
É escolher com o quê ter paciência. É descobrir uma nova mulher em si a cada dia.
É não se importar com o resto do mundo, mas chorar ao pensar em que mundo seu filho vai crescer.
Ser mãe é não pensar tanto no futuro. É ter vontade de olhar fotos antigas para ver com quem ele realmente se parece.
Ser mãe, aliás, é achar que um dia ele é a sua cara, mas no outro de seu só tem o pé.
Ser mãe é achar tudo lindo, tudo engraçado, tudo novo. É estar atenta as descobertas sem interferir muito. É aplaudir o acerto e ser firme no erro.
Ser mãe é não ter sono. Ou ter e fingir que ele não existe.
É deixar de lado a vaidade, mas se achar linda com olheiras e tudo.
Ser mãe, para a maioria, é esquecer (pelo menos um pouco) que existe estria, celulite, peito caído, salto alto, bijuteria.
Ser mãe é ser polvo. É ter quantos braços forem necessários para carregar o carrinho, a bolsa, a chupeta, o paninho, o brinquedo e o filho. Ufa...
Ser mãe é procurar selo do Inmetro, peça pequena, peça grande, estímulo.
Ser mãe é conseguir. Conseguir amamentar, deixar na escola, com a babá, deixar crescer.
É conseguir entender o choro e deixar chorar.
Ser mãe é ficar parada na beira do berço. É dizer “Deus te abençoe”. É entender que o amor existe em diversas formas, inclusive nessa, tão pura e transparente.
É não pensar mais em morte, é entender a vida.
Ser mãe é aguentar o tranco.
É sentir dor nas costas, nas pernas, nos braços. E não sentir mais nada quando um sorriso se abre, quando um choro começa ou a tosse dispara.
Ser mãe é discutir com o pediatra, é questionar o medicamento, é acreditar nas dicas da avó.
Ser mãe é renovar laços. Com si próprio, com a família, com as tradições.
Ser mãe é ter e ouvir os instintos. É ser leoa, ave de rapina. É ser desconfiada como a raposa e ágil como a lebre.
Ser mãe é ser filha também. É mais aprender do que ensinar e mais ensinar do que aprender.
Ser mãe é conviver. É deixar que convivam. É aproveitar cada fase do filho e de ser mãe.
É cortar as asas e é deixar que voe.
É correr pro abraço, esquecer o cansaço e trocar a fralda, preparar o banho, a mamadeira e escolher a roupa, tudo ao mesmo tempo.
Ser mãe é estar completa.
É ter o coração quente, os olhos cheios de lágrimas, os braços cheios de força e a cabeça repleta de idéias e preocupações.
Ser mãe é ter sempre um filho a mais: o marido.
É entender o começo de tudo. É procurar explicações bem no fundo.
É suspirar. É concordar discordando.
É, desde o exame positivo, nunca mais estar sozinha, e mesmo sozinha, ter em quem pensar. É estar perto mesmo longe.
Ser mãe é seguir em frente.
É não deixar que o tempo pare e é achar que passa rápido demais.
Ser mãe é ser mãe.
Sempre.
:::
Carol Garcia - Mulher, mãe, jornalista. Adora um bom papo, uma boa novidade e um bom destino. Conhecer novos lugares, novos costumes e viver. Muito! Autora do blog Viajando na Maternidade, onde compartilha sua experiência e muitas dicas de toda essa viagem que é ser mãe.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 05 DE MAIO DE 2013


A REENCARNAÇÃO FORTALECE OS LAÇOS DE FAMÍLIA, AO PASSO QUE A UNICIDADE DA EXISTÊNCIA OS ROMPE

18. Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.
No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes, até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento.
Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição recíproca, pela razão mesma de que, mais depurada, não tem a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões. Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.
Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma a alma, única que sobrevive à destruição do corpo, porquanto os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos. Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem. Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a alma existe sempre. No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no céu.
19. A união e a afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou, Daí vem que, falando-se de alguém cujo caráter, gostos e pendores nenhuma semelhança apresentam com os dos seus parentes mais próximos, se costuma dizer que ela não é da família. Dizendo-se isso, enuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contacto dos bons e por efeito dos cuidados que se lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatizas se esvaem. E desse modo que se opera a fusão das diferentes categorias de Espíritos, como se dá na Terra com as raças e os povos.
20. O temor de que a parentela aumente indefinidamente, em conseqüência da reencarnação, é de fundo egoístico: prova, naquele que o sente, falta de amor bastante amplo para abranger grande número de pessoas. Um pai, que tem muitos filhos, ama-os menos do que amaria a um deles, se fosse único? Mas, tranqüilizem-se os egoístas: não há fundamento para semelhante temor. Do fato de um homem ter tido dez encarnações, não se segue que vá encontrar, no mundo dos Espíritos, dez pais, dez mães, dez mulheres e um número proporcional de filhos e de parentes novos. Lá encontrará sempre os que foram objeto da sua afeição, os quais se lhe terão ligado na Terra, a títulos diversos, e, talvez, sob o mesmo título.

Fonte: Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Feb, 1944. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 21 / 04 / 2013


O adolescente: possibilidades e limites

Na quadra primaveril da adolescência tudo parece fácil, exatamente pela falta de vivência da realidade humana. O adolescente examina o mundo através das lentes límpidas do entusiasmo, quando se encontra em júbilo, ou mediante as pesadas manchas do pessimismo que no momento lhe dominam as paisagens emocionais. A realidade, no entanto, difere de uma como de outra percepção, sem os altos vôos do encantamento nem os abismos profundos do existencialismo negativo.  
A vida é um conjunto de possibilidades que se apresentam para ser experimentadas, facultando o crescimento intelectomoral dos seres. A forma como cada pessoa se utiliza desses recursos redunda no êxito ou no desar, não sendo a mesma responsável pela glória ou pelo insucesso daqueles que a buscam e nela se encontram envolvidos.
Para o jovem sonhador, que tudo vê róseo, há muitos caminhos a percorrer, que exigem esforço, bom direcionamento de opção e sacrifício. Toda ascensão impõe inevitável cota de dedicação, como é natural, até que a conquista dos altiplanos delineie novos horizontes ainda mais amplos e fascinantes.
Assim, as possibilidades do adolescente estão no investimento que ele aplica para a conquista do que traça como objetivo. Nesse período, temse pressa, porque todas as manifestações são rápidas e os acontecimentos obedecem a um organograma que não pode ser antecipado, esperando que se consumem os mecanismos propiciatórios à sua realização.
Ansioso pelos voos que pretende desferir, pensa que as suas aspirações podem ser transformadas em realidade de um para outro momento, e, quando isso não ocorre, deixase abater por graves frustrações e desânimo. No entanto, através desse vaivém de alegria e desencanto passa a entender que os fenômenos existenciais independem das suas imposições, provindo de muitos fatores que se conjugam para oferecer resultado correspondente.
Nessa sucessão de contrários, amadurecelhe a capacidade de compreensão e aprimorase a faculdade de planejar, auxiliandoo a colocar os pés no chão sem a perda do otimismo, que é fator decisivo para o prosseguimento das aspirações e da sua execução contínua.
Face à constituição da vida, não basta anelar e querer, mas produzir e perseverar. Esse meio de levar adiante os planos acalentados demonstra que há limites em todos os indivíduos, que não podem ser ultrapassados, e que se apresentam na ordem social; moral, econômica, cultural, científica, enfim, em todas as áreas dos painéis existenciais.
Os acontecimentos são conforme ocorrem e não consoante se gostaria que sucedessem, isto é, nadar contra a correnteza pode exaurir o candidato que vai atirado à praia, onde chega após grandes conquistas e ali morre sem alcançar a vitória.
A sabedoria, que decorre das contínuas lutas, demonstra que se deve realizar o que é possível, aguardando o momento oportuno para novos cometimentos. Especificamente, cada dever tem o seu lugar e não é lícito assumir diversos labores que não podem ser executados de uma só vez.
A própria organização física constitui limite para todos os indivíduos. Quando se exige do organismo além das suas possibilidades, os efeitos são negativos, portanto, desanimadores. Daí, o limite se encontra na capacidade das resistências física, moral e mental, que constituem os elementos básicos do ser humano, e no enfrentamento com os imperativos da sociedade, da época em que se vive, etc.
Certamente, há homens e mulheres que se transformaram em exceção, havendo pago pesados ônus de sacrifício, graças ao qual abriram à História páginas de incomparável beleza. Simultaneamente, também, houve aqueles que mergulharam no fundo abismo do desencanto, deixandose dominar por terríveis angústias que lhes estiolaram a alegria de viver e os maceraram, levandoos a estados profundamente perturbadores, porque não possuíam essas energias indispensáveis para as conquistas que planejaram.
Ao moço compete o dever de aprender as lições que lhe chegam, impregnando-se das suas mensagens e abrindo novos espaços para o futuro. Quando arrebatado pelo entusiasmo, considerar que há tempo para semear como o há para colher; quando deprimido, liberarse das sombras pelo esforço de ascender às regiões onde brilha a luz da esperança, compreendendo que a marcha começa no primeiro passo, assim como o discurso mais inflamado tem início na primeira palavra. Todas as coisas exigem planificação e tentativa. Aquele que se recusa experimentar, já perdeu parte do empreendimento. Não há por que recear o insucesso. Esse medo da experimentação já é, em si mesmo, uma forma de fracasso. Arriscarse, no bom sentido do termo, é intensificar os esforços para produzir, mesmo que, aparentemente, tudo esteja contra. Não realizando, não tentando, é claro que as possibilidades são infinitamente menores. Sempre vence aquele que se encontra alerta, que labora, que persiste.
A atitude de esperar que tudo aconteça em favor próprio é comodidade injustificável; e deixarse abater pelos pensamentos pessimistas, assim como pelas heranças autodepreciativas, significa perder as melhores oportunidades de crescimento interior e exterior, que se encontram na adolescência. Esse é o momento de programar; é o campo de experimentação.
Quando o jovem começa a delinear o futuro não significa que haja logrado a vitória ou perdido a batalha, apenas está traçando rotas que o levarão a um ou a outro resultado, ambos de muito valor na sua aprendizagem, em torno da vida na qual se encontra.
A perseverança e o idealismo sem excesso responderão pelo empreendimento iniciado. O adolescente não deve temer nunca o porvir, porquanto isso seria limitar as aspirações, nem subestimar as lições do cotidiano, que lhe devem constituir mensagens de advertência, próprias para ensinarlhe como conseguir os resultados superiores.
Assim, nesse período de formação, de identificação consigo mesmo, a docilidade no trato, a confiança nas realizações, a gentileza na afetividade, o trabalho constante, ao lado do estudo que aprimora os valores e desenvolve a capacidade de entendimento, devem ser o programa normal de vivência. Os prazeres, os jogos apaixonantes do desejo, as buscas intérminas do gozo cedem lugar aos compromissos iluminativos, que desenham a felicidade na alma e materializamna no comportamento.
Ser jovem não é, somente, possuir força orgânica, capacidade de sonhar e de produzir, mas, sobretudo, poder discernir o que precisa ser feito, como executálo e para que realizálo.
A escala de valores pessoais necessita ser muito bem considerada, a fim de que o tempo não seja empregado de forma caótica em projetos de secundária importância, em detrimento de outros labores primaciais, que constituem a primeira meta existencial, da qual decorrerão todas as outras realizações.
São infinitas, portanto, as possibilidades da vida, limitadas pelas circunstâncias, pelo estágio de evolução de cada homem e de cada mulher, que devem, desde adolescentes, programar o roteiro da evolução e seguir com segurança, etapa a etapa, até o momento de sua auto-realizarão.

Fonte: Franco, Divaldo P., pelo espírito Joana de Angelis. Adolescência e Vida. Disponível em  http://www.luzespirita.org.br/leitura/pdf/L102.pdf

sábado, 13 de abril de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 14 / 04 / 201


A CRIANÇA DIANTE DA MORTE

Nenhum tema pode ser tão atual e universal quanto o temor do homem para com a morte, por ele nos revelar o nosso despreparo quanto ao nosso auto-conhecimento, processo que inevitavelmente faria emergir outros tantos medos que afligem o homem, como o da dor e da solidão. Compreender e aceitar a nossa finitude física e a imortalidade da alma deveria tornar-se um assunto em pauta não somente na educação formal e espiritual de adultos, mas fundamentalmente na formação infantil.
A questão da origem da vida e da morte sempre esteve presente não somente na mente adulta, mas também na infantil e deixá-la desamparada e despreparada, tornaria mais difícil a sua caminhada frente às necessárias e naturais “mortes” e “renascimentos” que ocorrerão ao longo de sua existência (a perda da infância, a perda de um amor, do vestibular, do emprego, de um ente querido, etc.). Toda perda é a “morte” psicológica ou real de algo ou alguém e, ao passarmos por ela sejamos nós, adultos, ou as crianças, sofremos as mesmas fases reativas (também chamadas de fases do “luto”), tais como: a negação ou a indignação diante da iminente ou comprovada perda; os acessos de raiva ou inconformação; o desespero na busca de saídas/desculpas mágicas ou tentativas de reversão do quadro; a depressão, o sentimento de culpa e fracasso e, finalmente, a parcial ou plena aceitação, também chamada “transcendência”. Preparar-se para reconhecer essas fases, seus significados e finalmente, transcendê-las, em muito ajudarão ao processamento do luto de forma gradual e menos dolorosa.
Pensar e falar de morte nunca foi um tema mórbido, e o é somente para aqueles que ainda não absorveram o seu real sentido e não crêem na pluralidade das existências. Esse despreparo ou resistência só vem a tornar mais doloroso o período que o sucede, o qual já citamos e chamamos de “luto”, dificultando o seu desenvolvimento sadio e as lições espirituais que dele poderíamos absorver. Sabiamente tem-se dito que quem não teme a morte não teme as dificuldades da vida, sendo o inverso igualmente verdadeiro. Ao aprendermos a nos preparar com serenidade para a morte ou para as possíveis perdas, sejam estas as nossas, as de quem amamos ou a que estamos apegados, aprenderemos a valorizar a vida, redimensionando nossa visão das coisas, pessoas e fatos à nossa volta, dando o real valor que devem possuir em nossas vidas. Com certeza viveremos e amaremos melhor.
Privar as crianças dessas verdades seria o mesmo que mentir para elas, revelando nossas fraquezas e medos. Desde cedo, de forma adequada ao seu nível de compreensão, ela deverá reconhecer a inevitabilidade da morte e suas conseqüências, e que ela não se trata de uma terrível ameaça, mas de um fenômeno de mutação natural à nossa evolução. Ocultar a verdade ou mentir à criança, além de adiar e acrescer sofrimentos futuros, subestimam sua capacidade de percepção do mundo, fazendo-a sentir-se enganada ou considerada ingênua, causando-lhe um profundo sentimento de solidão e insegurança com relação aos que a cercam.
Todo ser humano, ao deparar-se com a dor da perda e da separação, não se permitindo “processá-la” de forma equilibrada, pode vir a transmutá-la em enfermidades físicas, mentais e espirituais, e na criança não é diferente. O processo de “luto” saudavelmente finalizado permite ao ser que sofre a compreensão e internalização definitiva da perda, cedendo o espaço disponível para outras relações e aquisições necessárias.
Algumas pessoas argumentam que as crianças não possuem capacidade para apreender o real sentido da morte. Em parte têm razão, dado sua imaturidade psico-fisiológica, mas isso não lhes tira a capacidade de apreendê-lo de forma gradual e adequada à sua possibilidade perceptiva. Pesquisas realizadas por estudiosos na área demonstram que quanto maior número de informações possam obter, melhor apreendem o seu sentido. Até os cinco anos a criança ainda não percebe a morte como definitiva e irreversível, podendo esta se encontrar associada ao conceito de sono ou de separação. Essa noção de reversibilidade da morte pode explicar o comportamento defensivo de crianças suicidas, podendo haver uma ligação entre o suicídio infantil e o conceito imaturo e distorcido da morte. Entre os cinco e os nove anos, a morte já é percebida como irreversível, mas não universal. A partir dos nove anos a morte é encarada como cessação de atividades com características universais e irreversíveis (esses dados podem sofrer variação segundo a individualidade de cada criança).
Em contrapartida, é importante lembrar que falar a verdade a respeito da morte não significa uma exposição ostensiva à mesma. Os diálogos fraternos, sistemáticos e adequados à sua compreensão em certo possibilitarão o acesso a essas informações de forma menos traumática. Por exemplo, levar uma criança a funerais ou qualquer tipo de ritual fúnebre só deverá ocorrer com a sua expressão de aceitação e plena vontade, respeitando-se seus limites emocionais e psicológicos. O que não lhe deve ser retirado é o direito de conhecer a verdade e de expressar seus sentimentos e necessidades da forma que lhe for mais conveniente. Mentiras, fantasias desnecessárias ou uma sinceridade cruel em nada facilitarão a compreensão da nova realidade.
Outro fator a acrescentar seria a forma como expressamos a nossa dor, os nossos medos e valores diante das crianças. Quando mais intensos e desequilibrados estes forem, maior a probabilidade de a criança os introjetar e repetir ao longo de sua vida. O ideal seria se expressássemos nossa dor da forma mais genuína e equilibrada possível, pois precisamos também nos lembrar do bem-estar dos demais envolvidos: de nós mesmos e de quem partiu, que também sofre as influências da separação.
Em resumo, o conhecimento e a compreensão dos fenômenos que envolvem a morte e as verdades espirituais deverão desde cedo ser inseridos na educação das crianças para que elas estejam mais bem preparadas quando a vida as tornarem forçosamente necessários. Utilizar-se de palavras, atitudes e experiências (jogos, estórias, técnicas psico-pedagógicas, etc) equilibradas e sadias em muito contribuirão para uma visão mais assertiva não somente da morte, mas de todos os fenômenos que envolvam a dor da perda, da separação e da solidão. Longe de enfraquecê-la e amedrontá-la (a fraqueza e o medo estão em nós, pois vemos o que somos), torná-la-ia mais forte e apta para a vida. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

CURSO DE FORMAÇÃO PARA EVANGELIZADORES







4º SEMINÁRIO SOBRE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Participe você trabalhador ou frequentador dos encontros espiritas, importante oportunidade de aprendizado.

AVISO IMPORTANTE


Car@s participantes da Escola de Pais,

Queremos lhes informar que no próximo domingo (07/04/13), não teremos atividades na Escola de Pais/MEPE/Evangelização Infantil, em decorrência da participação, por parte da evangelizadoras, em um curso de aperfeiçoamento oferecido pela Coordenação de Infância e Juventude da FEEC. Outro ponto relevante quanto ao dia 07/04 é a realização do Seminário do Livro dos Espíritos, o qual iniciará na próxima sexta-feira, finalizando-se no domingo.

No dia 14/04 retomaremos as nossas atividades normais.

Reforçamos o convite feito pela Rosane, coordenadora da Evangelização Infantil na Piedade, para que os pais que têm interesse em ingressar nos trabalhos da Evangelização se inscrevam nesse curso da FEEC. Basta seguir as indicações descritas no cartaz. 
Ressaltamos também a importância da participação no Seminário do Livro dos Espíritos, benefício sempre solicitado por quem frequenta o GEPE Piedade e se mostra desejoso da realização de mais eventos desse tipo nesta sede do GEPE.

Abraços a todos e todas 
Dário Gomes
Coordenador da Escola de Pais - GEPE Piedade

terça-feira, 26 de março de 2013

FICA A DICA

Amigos e amigas que compõe a Escola de Pais,

Informamos que estamos oferecendo no domingo o serviço de Atendimento Fraterno no horário de funcionamento da Escola de Pais / MEPE e Evangelização Infantil. O nosso companheiro Marcos André, o qual participa do grupo 2, coordenado pelos facilitadores  Kátia e Flavio, está a frente dessa ação. O Atendimento Fraterno tem como finalidade a recepção, esclarecimento básico, amparo, reajuste e redirecionamento de ideias de irmãos que cheguem a Casa Espírita necessitados de auxílio para a solução ou alívio de problemas das mais variadas ordens. Podem se utilizar do Atendimento Fraterno nos domingos pela manhã tanto pessoas que participem da Escola de Pais/MEPE/Evangelização Infantil como irmãos que não estejam inseridos nessas atividades, até mesmo pessoas que não frequentem o nosso centro espírita. 

Desejamos que essa atividade venha enriquecer ainda mais os nossos encontros semanais

Abraços
Dário Gomes
Coordenador da Escola de Pais

quinta-feira, 21 de março de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO 24 03 2013


CRIANÇAS ESPECIAIS
Todas as crianças são especiais, porque cada uma é uma individualidade sagrada e rica. Mas aqui queremos nos referir particularmente às crianças que fogem, de um modo ou de outro, ao padrão médio de normalidade. As crianças com problemas de desenvolvimento, com sub ou superdotação intelectual, crianças com desajustes emocionais – todas elas merecem estudos de médicos, psicólogos e educadores em todo o mundo. Aliás, alguns dos métodos pedagógicos desenvolvidos nesse século para crianças normais partiram de métodos antes aplicados a crianças excepcionais – como o de Montessori e o de Decroly. Interessa-nos o aspecto espiritual da questão, até agora não desvendado.
A deficiência mental tem geralmente uma causa física bem identificável: pode, por exemplo, ser provocada por um problema genético (como no caso da síndrome de Down) ou uma lesão cerebral (ocorrida na hora do parto ou durante alguma convulsão). Pode , às vezes, também ser consequência passageira de algum distúrbio psíquico.
Em qualquer caso, entretanto, trata-se de uma incapacidade momentânea de manifestação do Espírito e não uma incapacidade intrínseca da alma encarnada. Kardec comprovou isto ao evocar Espíritos de crianças deficientes e que, fora do corpo, tinham grande lucidez espiritual. Isso também se observa diariamente pelo fato de que, em muitos casos de deficiência, os diagnósticos médicos são taxativos, descartando qualquer possibilidade de desenvolvimento. Mas, quando estimulada convenientemente e quando revela vontade forte, a criança ultrapassa de muito os prognósticos pessimistas. O que é isto, senão o Espírito inteligente que, apesar dos obstáculos para a sua manifestação, luta e consegue, pelo menos em parte, superar os limites do corpo?
O nascimento de crianças excepcionais é um desses fatos que só se pode explicar inteiramente pela lei da reencarnação. As deficiências mentais (e evidentemente as físicas também) são sempre resultados de processos cármicos, cujas origens desconhecemos. Mas podemos indicar suas características principais.
Espíritos que abusaram demasiado da inteligência, empregando-a em prejuízo de si próprios e do próximo podem ter encarnações expiatórias, em que se sintam tolhidos para usá-la em sua integridade. Geralmente, são Espíritos que desenvolveram pouco o sentimento. Enquanto, pois, não podem manifestar a plenitude de suas faculdades intelectuais na carne, são obrigados a arranjar outras formas de comunicação com o ambiente e por isso, muitas vezes, mostram-se extremamente afetivos. A inteligência descansa, mas o Espírito progride, aprendendo a sentir. Isso se observa com muita clareza nas crianças de síndrome de Down – afetuosíssimas, em sua maioria.
Espíritos comprometidos em séculos de crimes e malbaratamento das Leis da vida, atingem tal estado de desequilíbrio espiritual, que só a reencarnação lhes pode aliviar a consciência. É que a carne age como uma espécie de mataborrão. Ao seu contato, o Espírito amortece as dores agudas da consciência e pode resgatar dívidas, reequilibrando-se para o futuro. Mas, quando ainda no plano espiritual, se vê abismado em profunda loucura, não pode, ao reencarnar, moldar um corpo normal e, assim, imprime na sua formação genética as lesões gravíssimas, que vão resultar em corpos defeituosos e incapacitados.
Nesses casos, não se pode esperar um desenvolvimento pleno da personalidade atual, mas não devemos esquecer que essa expiação estará servindo para a melhoria da personalidade espiritual. E essa personalidade espiritual sempre pode ser atingida, se não pela comunicação verbal, certamente pela linguagem do amor.
A superdotação é outro tema complexo, que é preciso analisar com critério. Em primeiro lugar, deve-se tomar cuidado na identificação de um superdotado, pois há muita superdotação artificial. Qualquer criança, submetida a uma estimulação intensa, pode se revelar precoce. Aliás, uma estimulação exagerada e unilateral pode causar distúrbios psíquicos e, como ela é sempre feita por motivo de vaidade ou de interesse econômico dos adultos, acaba por deformar a personalidade da criança.
Assim são os casos de músicos ou esportistas, por exemplo, que desde a mais tenra idade sofrem um treinamento massacrante, tornando-se exímios em certa atividade. Podem conquistar fama e dinheiro fácil, mas são sempre pessoas profundamente desajustadas e infelizes, porque não se desenvolveram de maneira natural e integral.
Quando legítima, ou seja, espontânea e não provocada, a superdotação pode se revelar por um talento específico ou por uma inteligência geral acima da média. Pode-se observar uma criança superdotada, entre outros traços, pelo sue pensamento criativo, pela intensidade e profundidade com que se envolve em assuntos de seu interesse, pela superioridade geral de seu raciocínio em comparação com as crianças de sua idade e, ainda, pela extrema facilidade em alguma área do conhecimento.
Faça-se porém importante parêntese: uma determinada superdotação intelectual não implica necessariamente em evolução moral do Espírito encarnado. Há muitos homens e mulheres que desenvolvem predominantemente a inteligência, em detrimento das qualidade morais. Ao renascerem, podem revelar esse desenvolvimento anterior desde cedo, mas nem por isso possuem elevação moral. Aliás, muitas vezes até, são Espíritos comprometidos com sérios desvios das Leis Divinas.
Poderíamos também falar de uma espécie de superdotação moral, coisa nunca mencionada: são as crianças que revelam desde cedo uma superioridade moral em relação ao meio – estas sim podem ser consideradas como reencarnação de Espíritos avançados.
O desajuste emocional pode se manifestar em forma de inquietação, agressividade, choro excessivo, medo, pesadelos, insônia e até prejudicar o desenvolvimento físico e cognitivo. As causas do problema podem ser as mais variadas. É preciso distingui-las.
Pela sua extrema maleabilidade psíquica, a criança absorve facilmente os reflexos vibratórios e emocionais do ambiente. Diante de um comportamento anormal de sua parte, deve-se antes de mais nada procurar as causas na atmosfera psíquica que a cerca. Mesmo que os adultos não demonstrem agressividade, desespero, angústia e outros sentimentos negativos e os trancafiem dentro de sim nem por isso as crianças, desde o berço, deixam de senti-los, de captá-los e de manifestá-los, se eles existirem no íntimo das pessoas que as acompanham.
Não só o estado emocional explícito ou embutido dos adultos, mas igualmente atitudes e orientação educacional inadequadas em relação á própria criança produzem desajustes emocionais profundos: por exemplo, tapas, gritos, repreensões severas ou indiferença, rejeição e abandono... Esses fatores foram largamente estudados por várias correntes psicopedagógicas. Aqui nem nos referimos às aberrações, infelizmente não tão raras, como o abuso sexual e pancadaria – que obviamente chegam a abalar a personalidade da criança por toda a vida e talvez até além.
Outras condições, muito comuns em nossa sociedade atual, também podem ser causa de anormalidades emotivas numa criança: o impedimento de dar livre curso à sua criatividade, à sua energia física e psíquica, o viver sempre em ambientes fechados, onde não possa mexer em nada, levando uma vida muito contrária à sua natureza expansiva e criadora; excesso de atividades passivas, como as desenvolvidas nas escola atual, muitas horas de televisão por dia, contato com literatura e cinema de conteúdo violento ou pornográfico, ou mesmo experiências vividas nestes setores etc.
Mas existem também causas espirituais. As crianças podem revelar desde cedo desequilíbrios emocionais, trazidos do passado, ou podem ainda sentir influências negativas de Espíritos obsessores, ligados a ela e à família. Entretanto, só se pode identificar com toda a certeza se um desequilíbrio emotivo provém dela própria ou de Espíritos perturbadores, quando as causas ambientais estiverem eliminadas. Ou seja, em uma criança que vive num ambiente saudável, alegre, tranquilo, onde sejam cultivadas a prece, conversas elevadas, limpeza material e moral e ainda assim persistirem os desajustes, então eles serão de fato originários dela própria. Mas todo esse ambiente positivo é o primeiro requisito de qualquer terapia. 

Fonte: INCONTRI, Dora. A Educação Segundo o Espiritismo. Bragança Paulista: Editora Comenius, 2006.


sexta-feira, 15 de março de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 17 03 2013


ALMAS-PROBLEMAS

Todos nascem ou renascem nos núcleos familiares e sociais de que necessitam para aprimorar-se. Nem sempre o planejamento da reencarnação leva em conta a afetividade existente entre os reencarnantes e sim a necessidade de serem limadas as arestas, corrigidas as imperfeições morais e desenvolvidos os processos de resgates.
Joana de Angelis, através da mediunidade de Divaldo Franco, nos alerta:
“A pessoa-problema que renteia contigo, no processo evolutivo, não te é desconhecida..”
O filhinho-dificuldade que te exige doação integral, não se encontra ao teu lado pela primeira vez.
O ancião-renitente que te parece um pesadelo contínuo exaurindo-te as forças, não é encontro fortuito na tua marcha...
O familiar de qualquer vinculação que te constitui provação, não é resultado do acaso que te leva a desfrutar da convivência dolorosa.
Todos eles provêm do teu passado espiritual. Eles caíram, sim, e ainda se ressentem do tombo moral, estando, hoje, a resgatar injunção penosa. Mas, tu também.
Quando alguém cai, sempre há fatores preponderantes e outros predisponentes, que induzem e levam ao abismo.
Normalmente, oculto, o causador do infortúnio permanece desconhecido do mundo. Não, porém, da consciência, nem das Soberanas Leis.
Renascem em circunstâncias e tempos diferentes, todavia, volvem a encontrar-se, seja na consanguinidade, através da parentela corporal, ou mediante a espiritual, na grande família humana, tornando o caminho das reparações e compensações indispensáveis.
Não te rebeles contra o impositivo da dor, seja como se te apresente.
Aqui, é o companheiro que se transforma em áspero adversário; ali, é o filhinho rebelde, ora portador de enfermidade desgastante; mais adiante, é alguém dominado pela loucura, e que chega à economia da tua vida depauperando os teus cofres de recursos múltiplos.
Surgem momentos em que desejas que eles partam da Terra, a fim de que repouses.
Horas soam em que um sentimento de surda animosidade contra eles te cicia o anelo de ver-te libertado...
Ledo engano!
Só há liberdade real quando se resgata o débito distância física não constitui impedimento psíquico.
Ausência material não expressa impossibilidade de intercâmbio.
O Espírito é a vida e, enquanto o amor não lene as dores e lima as arestas das dificuldades, o problema prossegue inalterado. Arrima-te ao amor e sofre com paciência. Suporta a alma-problema que se junge a ti e não depereças nos ideais de amparar e prosseguir. Ama, socorrendo.
Dia nascerá, luminoso, em que, superadas as sombras que impedem a clara visão da vida, compreenderás a grandeza do teu gesto e a felicidade da tua afeição a todos.
O problema toma a dimensão que lhe proporcionas.
Mas o amor, que “cobre a multidão dos pecados” voltado para o bem, resolve todos os problemas e dificuldades fazendo que vibre, duradoura, a paz por que te afadigas.
Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, no livro Encontro Marcado, nos esclarece sobre as divergências entre pais e filhos:
“Nem sempre surgem como sendo personalidades adequadas aos nossos desejos aqueles que a vida nos oferece por pais na estância física.”
Seriam eles maus ou diferentes, porque não nos entendem, de pronto, os ideais? Numa interrogativa dessa natureza, toda vez que estivermos na posição de filhos, é possível devamos formular semelhante questão ao inverso.
Habitualmente, julgamos nossos pais humanos quando a razão começa a amadurecer no galho florido de nossos primeiros sonhos da mocidade. Sobretudo, pretendemos medir-lhes as supostas deficiências, depois de passados mais de vinte ou trinta anos sobre os dias semiconscientes de nossa infância. Se não concordam com as nossas opiniões, frequentemente apontamo-los por espíritos passadistas ou intolerantes. Nessa conceituação apressada, porém, esquecemo-nos de que eles receberam no caminha da experiência, quantas vezes por nossa causa, e, por isso mesmo, nem sempre lhes será possível colocar os ouvidos ao nível em que se nos situa a palavra.
Fácil considerá-los desorientados, quando não estejam de acordo com os preceitos que aceitamos como sendo os mais justos; entretanto, a distância enorme de tempo que existe entre a hora de nossa análise e a hora do berço não nos permite saber quantos problemas e quanto fel amargaram, até que adotassem padrões individuais de conduta, diversos daqueles consagrados para a vida na Terra.
Muito simples categorizá-los à conta de intransigentes, quando nos reprovam os pontos de vista; contudo, raramente estamos nas condições precisas para avaliar as crises que suportaram, a fim de que tentações e desequilíbrios não arrasassem o lar que nos serve de apoio e ninho.
Se te encontras à frente de pais magoados ou sofredores, recorda um homem generoso que largou as conveniências da própria liberdade, para colocar uma família nos ombros, e lembra-te de certa mulher, jovem e bela, que olvidou a si mesma e renunciou à própria vida, padecendo na carne e na lama, para que pudesses viver!... Considera que eles se reuniram, obedecendo aos desígnios de Deus, a fim de que viesses ao mundo, e se não puderam ser felizes como esperavam ou se as provações da existência os tornaram assim, quando estiveres a ponto de censurá-los, pensa na alegria e no amor com que eles dois rogaram a Deus te abençoasse, quando nasceste e, em silêncio, pede também a Deus que o abençoe.
Prossegue Emmanuel, alertando agora sobre os filhos diferentes:
“Provavelmente, conhecê-los-ás no mais íntimo da alma: os filhos diferentes. Conseguiste instruir os outros. Encaminhá-los para o bem com facilidade. Mas encontraste aquele que não se afina com os teus ideais. É um filho que não se erige à altura do padrão doméstico a que te elevaste, ou uma filha que desmente a esperança.”
É possível hajas verificado a desvantagem quando já existe enorme distância do ente querido à harmonia familiar. Percebeste-lhe as falhas com a surpresa do cultivador quando identifica uma planta de bela aparência que a praga carcome, ou com o desencanto de quem vê repentinamente comprometida a empresa levantada à custa dos sonhos e canseiras de muitos anos.
Quanto te observes perante um filho diferente, não te permitas inclinar o coração ao desespero ou à amargura. Ora e pede luz para o entendimento.
O Senhor te fará reconhecer-te à frente do companheiro ou da companheira de outras existências terrestres, que o tempo ocultou e que a Lei te oferece de nova à presença para que a tua obra de amor seja devidamente complementada.
Jamais ergas a voz para acursar o filho-problema, conquanto nem sempre lhe possa elogiar a conduta. Longe ou perto dele, segundo as circunstâncias do plano físico, ampara-o com a tua prece, estendendo-lhe apoio e inspiração pelas vias da alma. Embora no dever de corrigi-lo, ainda mesmo quando te não compreenda ou te evite o passo, abençoa-o tantas vezes quantas se fizerem precisas, ensinando-lhe outra vez o caminho da retidão e da obediência, selecionando para isso as melhores palavras que as lutas da vida te hajam gravado no sentimento.
Ninguém te pode penetrar a angústia e o enternecimento de pai ou mãe junto dos filhos que se fizerem enigmas; à vista disso é natural que muitas vezes o teu procedimento diante deles assuma aspecto de exceção. Auxilia-os sempre e, mesmo nos dias em que saraivada de críticas humanas te assedie a cabeça, aconchega-os mais brandamente ao regaço de teu espírito; sem que o verbo humano consiga expressar as sensações de teu amor ou de tua dor, ante um filho diferente, sabes, no imo da alma, que ele significa o mais alto encontro marcado entre a tua esperança e a bondade de Deus.

Fonte: CARNEIRO, T. M. F. e BARRETO, E. F. P. (organizadoras). Guia Útil dos Pais – Uma Abordagem Educacional Espírita. 2ª Edição, Fortaleza – CE: Edições GEPE – Grupo Espírita Paulo e Estevão, 2004.

quinta-feira, 7 de março de 2013

TEXTO PARA ESTUDO DOMINGO DIA 10 / 03 / 2013


CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES

4. De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.
Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!
Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!
Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!
Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.
Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.
Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.

Fonte: Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Feb, 1944. 

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